Rosto mais fino, perda de volume, sulcos mais evidentes e uma aparência envelhecida. Essas características são associadas ao chamado runner’s face, ou “rosto de corredor”, expressão usada para descrever mudanças percebidas na face de algumas pessoas que praticam corrida com frequência, principalmente quando o esporte está associado a uma redução significativa do percentual de gordura corporal.
Apesar do nome, o runner’s face não é uma condição médica e a corrida, por si só, não faz o rosto envelhecer mais rápido. Segundo o cirurgião bucomaxilofacial e implantodontista Bruno Cantharino, o principal fator está na perda de gordura facial que acompanha emagrecimentos mais acentuados.
“Quando existe uma perda importante de gordura corporal, o rosto também pode sofrer essa redução de volume. Com isso, algumas estruturas ficam mais evidentes, os sulcos podem parecer mais profundos e uma flacidez que antes era discreta pode chamar mais atenção”, explica.
A intensidade dessa mudança varia de acordo com idade, genética, anatomia facial, qualidade da pele e quantidade de gordura perdida. Têmporas e maçãs do rosto, por exemplo, podem perder volume, deixando olheiras, sulcos e outras estruturas mais marcadas. O fenômeno, porém, não é exclusivo de corredores e qualquer processo significativo de emagrecimento pode provocar alterações semelhantes.
Quando pensar em procedimentos estéticos?
Quando a perda de volume, a flacidez ou os sulcos mais evidentes passam a gerar incômodo, uma avaliação especializada pode ajudar a identificar quais estruturas foram afetadas e quais possibilidades de tratamento fazem sentido para aquele rosto. A indicação depende da idade, da anatomia facial, da qualidade da pele e do grau das alterações apresentadas.
Nos casos em que existe uma flacidez mais avançada e um deslocamento mais significativo dos tecidos, procedimentos cirúrgicos podem ser avaliados. O Facelift é indicado para reposicionar os tecidos faciais e suavizar os sinais do envelhecimento, enquanto o Deep Plane atua em planos mais profundos da face. Quando as alterações também envolvem o pescoço, a cervicoplastia pode ser indicada para tratar a flacidez e melhorar o contorno, redefinindo a transição entre o rosto e o pescoço.
“Não existe um procedimento específico para o chamado runner’s face. Precisamos identificar se aquele paciente apresenta predominantemente perda de volume, flacidez, alterações na qualidade da pele ou uma combinação desses fatores. Só a partir dessa análise é possível indicar o tratamento mais adequado”, afirma Bruno.
Cuidados para quem corre
A prática da corrida não precisa ser interrompida por receio de envelhecer o rosto. Para reduzir os efeitos da exposição solar e preservar a qualidade da pele, alguns cuidados são importantes:
● Usar protetor solar com proteção UVA e UVB;
● Recorrer a bonés, viseiras e óculos de sol durante os treinos;
● Proteger também os lábios;
● Evitar, quando possível, os horários de maior incidência solar;
● Evitar perdas de peso muito rápidas ou acentuadas.
Sobre Bruno Cantharino
É especialista em cirurgia e traumatologia bucomaxilofacial e mestre e especialista em implantodontia. Possui pós-graduação em cirurgia ortognática, artroscopia e cirurgia da ATM. É membro titular do Colégio Brasileiro de Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial, diretor da Clínica Encanthar e sócio-diretor da Avance Escola de Odontologia.
Crédito da foto: Magnific

