Fogueiras acesas, fogos de artifício iluminando o céu e as tradicionais espadas fazem parte do cenário típico do São João. No entanto, elementos tão característicos da festa também podem representar riscos importantes para a saúde ocular. De acordo com o oftalmologista Frederico Faiçal, da Oftalmoclin – empresa da Opty Rede Integrada, a combinação de fumaça, cinzas e partículas dispersas no ar aumenta significativamente a incidência de irritações e lesões nos olhos durante o período junino.
Segundo o especialista, a exposição a esses agentes pode causar sintomas como ardência, vermelhidão, lacrimejamento excessivo e sensação de corpo estranho, como se houvesse areia nos olhos. Além disso, resíduos presentes no ambiente podem se alojar na parte interna das pálpebras, provocando desconforto e favorecendo o surgimento de alergias e inflamações com características semelhantes às da conjuntivite. “Nessa época do ano, observamos um aumento dos casos de lesões na córnea e de irritações oculares associadas à exposição à fumaça e aos resíduos das comemorações”, explica.
Os acidentes envolvendo fogos de artifício e explosões próximas ao rosto também estão entre as maiores preocupações dos especialistas. O oftalmologista Marco Polo, do DayHORC – também da Opty, destaca que queimaduras oculares podem provocar danos severos e, em situações mais graves, resultar em comprometimento permanente da visão. Em casos de irritação leve, a recomendação é lavar os olhos com água corrente, água gelada ou soro fisiológico. Entretanto, sintomas persistentes, dores intensas, dificuldade para enxergar ou qualquer ocorrência envolvendo explosões exigem atendimento oftalmológico imediato. O médico também alerta para os riscos da automedicação, especialmente com o uso de colírios ou pomadas sem orientação profissional.
“A prevenção continua sendo a melhor estratégia. O uso de óculos de proteção durante o manuseio de fogos, espadas e fogueiras pode reduzir significativamente os riscos de acidentes. Os cuidados devem ser ainda maiores ao acender fogueiras, sobretudo quando há utilização de líquidos inflamáveis”, reforça Marco Polo.
Inverno também aumenta a atenção com a saúde ocular
Além dos riscos relacionados às comemorações, o período junino coincide com a chegada do Inverno na Bahia, época marcada por mudanças climáticas que favorecem o aparecimento de doenças oculares. De acordo com o oftalmologista Murilo Barreto, da OftalmoDiagnose, unidade da Opty em Salvador, algumas formas de conjuntivites infecciosas tendem a ser mais frequentes nesta época do ano. Sinais como olhos vermelhos, ardência, lacrimejamento, fotofobia e irritação merecem atenção e devem motivar uma avaliação especializada.
A médica Camila Koch, oftalmologista do Instituto de Olhos Freitas, também integrante da Opty, destaca algumas medidas simples que ajudam a proteger a visão durante os meses mais frios:
• Faça a lavagem e a secagem ao sol de mantas, cobertores e blusas de lã guardadas por muito tempo.
• Evite o acúmulo de poeira em casa.
• Durma em local arejado.
• Lave com frequência o rosto e as mãos, uma vez que são meios importantes para a transmissão de microorganismos.
• Não compartilhe toalhas de rosto, esponjas, rímel, delineadores ou qualquer outro produto de beleza.
• Evite objetos que acumulem poeira, como cortinas, carpetes, tapetes, bichos de pelúcia, documentos antigos e livros.
• Evite a exposição à fumaça, poeira, pólen, pelos de animais e outros agentes irritantes.
• Em caso de conjuntivite, suspenda o uso de lentes de contato e evite coçar os olhos para não agravar a irritação.

