Produto cresce no mundo, é vendido ilegalmente no Brasil e preocupa especialistas em saúde bucal às vésperas do Dia Mundial Sem Tabaco
Discretos, aromatizados e comercializados como alternativas “mais modernas” ao cigarro tradicional, os sachês de nicotina têm acendido um alerta entre especialistas em saúde bucal. Apesar de não produzirem fumaça nem combustão, os chamados “nicotine pouches” podem provocar lesões na boca, danos gengivais e até perda dentária a longo prazo.
O tema ganha ainda mais relevância às vésperas do Dia Mundial Sem Tabaco, celebrado neste domingo (31). Neste ano, a campanha global da Organização Mundial da Saúde (OMS) chama atenção para estratégias da indústria voltadas à ampliação do consumo de novos produtos de nicotina em diferentes partes do mundo.
Segundo relatório divulgado pela OMS em maio, as vendas globais de sachês de nicotina ultrapassaram 23 bilhões de unidades em 2024, um crescimento superior a 50% em relação ao ano anterior. O mercado mundial desses produtos movimentou quase US$ 7 bilhões em 2025. Apesar da comercialização não ser autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), os sachês seguem sendo vendidos livremente pela internet no Brasil.
Para a cirurgiã-dentista Suyana Carneiro, da Hapvida, a ausência de fumaça contribui para a falsa percepção de que os sachês seriam menos nocivos à saúde. “Mesmo sem combustão, os sachês de nicotina não são inofensivos para a saúde bucal. Eles liberam nicotina e outras substâncias químicas diretamente sobre a mucosa oral, podendo causar irritação local crônica, alterações celulares e desequilíbrio da microbiota oral”, explica.
Segundo a especialista, os danos costumam surgir exatamente no local onde o sachê é colocado entre a gengiva e o lábio. Entre as principais complicações observadas estão a recessão gengival, lesões brancas semelhantes à leucoplasia, ulcerações, espessamento da mucosa e processos inflamatórios persistentes.
Outro ponto de preocupação é a alta concentração de nicotina presente nesses produtos. De acordo com a OMS, algumas bolsas chegam a concentrações entre 50 e 150 mg/g — índices significativamente superiores aos encontrados em cigarros convencionais.
“A nicotina é um potente vasoconstrictor. Ela reduz o fluxo sanguíneo gengival, prejudica a oxigenação dos tecidos e dificulta a cicatrização. Além disso, pode mascarar sinais inflamatórios, criando uma falsa impressão de saúde enquanto a doença periodontal evolui silenciosamente”, alerta Suyana.
Ainda segundo a dentista, o uso contínuo pode comprometer seriamente a estrutura de sustentação dos dentes. “O uso crônico pode levar à progressão da doença periodontal, perda de inserção gengival, reabsorção óssea localizada, mobilidade dentária e, em casos mais avançados, perda dentária”, afirma.
A OMS também alerta que muitos países ainda não possuem regulamentação específica para esses produtos, o que amplia desafios de controle e fiscalização. Atualmente, apenas 16 países proíbem a comercialização dos sachês de nicotina, enquanto outros 32 adotam algum tipo de regulamentação para venda e consumo desses produtos, incluindo restrição de vendas a menores e proibição de publicidade, promoção e patrocínio.
Sobre a Hapvida
Com mais de 80 anos de experiência, a Hapvida é hoje a maior empresa de saúde integrada da América Latina. A companhia, que possui mais de 75 mil colaboradores, atende quase 16 milhões de beneficiários de saúde e odontologia espalhados pelas cinco regiões do Brasil.
Todo o aparato foi construído a partir de uma visão voltada ao cuidado de ponta a ponta, a partir de 84 hospitais, 75 prontos atendimentos, 367 clínicas médicas e 313 centros de diagnóstico por imagem e coleta laboratorial, além de unidades especificamente voltadas ao cuidado preventivo e crônico. Dessa combinação de negócios, apoiada em qualidade médica e inovação, resulta uma empresa com os melhores recursos humanos e tecnológicos para os seus clientes.

