segunda-feira, julho 13, 2026
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Nem toda alteração na mama é câncer: especialista explica quais são as doenças benignas pouco discutidas, mas que merecem atenção 

Ainda que o diagnóstico de câncer cause grande temor na população, cerca de 80% das condições mamárias são benignas. Essa estimativa vem do consenso da literatura médica mundial e de relatórios de órgãos como a American Cancer Society e o Ministério da Saúde.  A literatura médica mostra que a dor mamária e alterações fibrocísticas, por exemplo, podem aparecer em cerca de metade das mulheres acima dos 30 anos. Além disso, os cistos mamários simples podem ser identificados em até um terço das mulheres entre 35 e 50 anos, enquanto os fibroadenomas, que são os tumores benignos mais comuns da mama, podem ocorrer em aproximadamente 25% das mulheres. 

A médica mastologista Larissa Bitencourt explica esse cenário: “Perceber uma alteração na mama costuma provocar medo imediato. Para muitas mulheres, o primeiro pensamento é: ‘será que é câncer?’. Essa reação não acontece por acaso. O câncer de mama ainda é fortemente associado, no imaginário coletivo, à mortalidade, ao sofrimento do tratamento e até à perda da feminilidade. Investigar uma alteração não significa que estejamos afirmando que há um câncer, mas sim usando os recursos disponíveis para diferenciar, com segurança, uma condição benigna de algo que exija tratamento.”

As doenças benignas da mama são caracterizadas pela ausência de células cancerígenas. Ainda assim, isso não significa que devam ser ignoradas. Cada alteração precisa ser avaliada de acordo com suas características, sintomas, evolução e impacto na vida da paciente.

Entre as condições benignas mais conhecidas estão a dor mamária, os cistos simples e os fibroadenomas. Mas elas não são as únicas. Existem outras alterações benignas, menos comentadas, que também merecem atenção, porque podem causar desconforto, gerar dúvidas, simular achados suspeitos nos exames ou exigir acompanhamento específico. Dentre elas estão:

Assimetrias mamárias e mamas acessórias

Ter um lado ligeiramente diferente do outro é extremamente comum, enquanto as mamas acessórias costumam se localizar na região da axila. Ambas são variações do desenvolvimento corporal e não indicam doença, embora possam impactar a autoestima e exigir avaliação para descarte de outras alterações associadas.

Mama densa

Identificada na mamografia, a mama densa possui uma proporção maior de tecido fibroglandular (a parte mais ativa da mama, formada por glândulas e ductos) em relação à gordura. Esse laudo não significa câncer, mas indica que a paciente pode ter um risco um pouco maior para o câncer de mama e pode precisar de uma estratégia de rastreamento mais personalizada, como associar a ressonância e a ultrassonografia ao rastreamento. 

Mastite granulomatosa

Doença inflamatória que acomete principalmente mulheres em idade reprodutiva, com média de 37 anos, e histórico de gestação e amamentação recente. Alguns fatores hormonais e imunológicos parecem participar do processo. Na prática, a mastite granulomatosa pode causar dor, vermelhidão, inchaço, retração do mamilo, nódulo palpável e aspecto de casca de laranja na pele. É uma doença de curso prolongado, com recidivas e muitas vezes refratária a diversos tratamentos.

“A mensagem mais segura é: nem toda alteração é grave, mas toda mudança persistente, nova ou incomum merece avaliação”, afirma a Dra. Larissa. Alterações de pele como vermelhidão persistente, calor local, endurecimento e aumento rápido do volume da mama, especialmente se evoluírem em poucos dias, exigem atenção rápida. Segundo a médica, esse conjunto de manifestações pode aparecer em processos inflamatórios comuns, mas também pode estar presente em quadros mais graves, como o câncer de mama inflamatório.

A mastologia para além do câncer de mama

Embora a especialidade seja muito lembrada quando se fala em tumores malignos, a rotina do mastologista é bem mais ampla. As alterações benignas costumam ser organizadas em três grandes grupos (lesões não proliferativas, lesões proliferativas sem atipia e hiperplasias atípicas), uma classificação técnica que auxilia o médico a entender se aquela alteração confere ou não algum risco aumentado de câncer no futuro.

“O mais importante é lembrar que a maioria das alterações mamárias é benigna. Ainda assim, benigno não significa irrelevante. O papel do mastologista é justamente diferenciar o que pode ser acompanhado com tranquilidade do que precisa de investigação mais cuidadosa. Por isso, a mastologia deve ser vista como uma especialidade voltada à saúde da mama em todas as fases da vida. Ela cuida do câncer, mas também cuida da dor, dos nódulos benignos, dos achados de imagem, das inflamações e das dúvidas que surgem quando o paciente percebe algo diferente no próprio corpo”, finaliza a mastologista.

Foto: Divulgação

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