segunda-feira, agosto 17, 2026
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Doenças imunomediadas avançam no Brasil, mas diagnóstico ainda pode levar meses

Especialista alerta que demora no tratamento pode causar danos permanentes 

As doenças imunomediadas vêm ganhando espaço no sistema de saúde brasileiro, mas o reconhecimento dessas condições ainda pode levar tempo. Um estudo nacional publicado em 2025, com dados de 2018 a 2022 dos sistemas público e privado de saúde, identificou aumento da prevalência de quatro doenças: artrite reumatoide, lúpus eritematoso sistêmico, artrite psoriásica e espondilite anquilosante. No período, a prevalência da artrite reumatoide passou de 95,7 para 136,8 casos por 100 mil habitantes, enquanto a do lúpus subiu de 23,4 para 38,9 casos por 100 mil.

Embora os dados mostrem uma presença crescente dessas doenças no país, identificar precocemente os primeiros sinais continua sendo um desafio. Segundo o reumatologista da Clínica IBIS, Rafael Carvalho, as doenças autoimunes podem apresentar manifestações variadas e nem sempre entram nas primeiras hipóteses consideradas durante uma investigação médica. 

“Tratam-se de patologias que muitas vezes não entram nas hipóteses diagnósticas iniciais. Acometem mais mulheres do que homens na maioria das vezes, provavelmente devido a interferências hormonais no sistema imune. Algumas manifestações são incomuns e o diagnóstico pode passar despercebido”, afirma o médico.

A dificuldade pode ser ainda maior em doenças sistêmicas, que não se restringem a um único órgão. “Patologias como o lúpus eritematoso sistêmico, por exemplo, podem se manifestar nos mais diferentes órgãos como pulmões, pele, articulações, coração, fazendo do seu diagnóstico verdadeiros quebra-cabeças”, explica Rafael Carvalho.

Tempo de diagnóstico pode fazer a diferença

O problema do diagnóstico tardio vai além da demora para dar nome à doença. Em condições inflamatórias, a permanência da atividade da doença sem tratamento adequado pode provocar danos estruturais e comprometer funções que nem sempre são recuperadas posteriormente. “Essas doenças têm grande potencial de gerar incapacidade permanente. Assim, artrites não tratadas de forma precoce, por exemplo, podem evoluir para deformidades articulares e perda da função de forma definitiva, acometendo de maneira importante a capacidade de trabalho e até mesmo as funções básicas do dia a dia”, alerta o reumatologista.

Nem toda dor é doença autoimune, mas alguns sinais merecem investigação

O diagnóstico de uma doença imunomediada não pode ser feito apenas pela presença de dor, cansaço ou outro sintoma isolado. Muitas dessas manifestações são comuns a diferentes condições e, justamente por isso, a avaliação médica é fundamental.

A atenção deve aumentar quando os sintomas são persistentes, recorrentes ou aparecem associados a outras manifestações. Dor e inchaço articular prolongados, rigidez, alterações na pele e sintomas que atingem diferentes partes do organismo podem justificar uma investigação mais aprofundada, especialmente quando não existe uma explicação clara para o quadro.

O objetivo não é estimular o autodiagnóstico, mas reduzir a banalização de sinais que podem indicar um processo inflamatório. Quanto mais cedo uma doença imunomediada é reconhecida, maior é a possibilidade de iniciar o tratamento adequado, controlar sua atividade antes que ocorram danos permanentes e ter mais qualidade de vida.

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