Painéis destacaram também a preservação da saúde das congressistas e a importância de uma rede integrada de proteção às mulheres
A busca pela equidade de gênero e o enfrentamento à violência contra a mulher marcaram as reflexões desta quinta-feira (20), no 3° CONAMP Mulher, em Salvador, com especial ênfase no engajamento dos homens nessa transformação social. Ao longo do dia, os debates no Trapiche Barnabé conectaram os desafios da carreira e da saúde mental no Ministério Público às discussões sobre masculinidades e o combate às agressões de gênero.
Na abertura dos painéis, a saúde psíquica esteve no centro das atenções, alertando para o impacto da tripla jornada na vida das mulheres da instituição, ao defender estruturas de suporte e ambientes de trabalho mais seguros. Já o papel masculino na desconstrução do machismo e na consolidação da equidade ganhou destaque na palestra “Masculinidade Madura e Paternidade Responsável”, conduzida pelo escritor Marcos Piangers e pela advogada Mariana Covre, da Coalizão Licença Paternidade (CoPai). O painel defendeu a transição da figura do homem de “provedor” para “cuidador” e debateu a ampliação da licença-paternidade. “O homem é maioria no sistema penitenciário, na população em situação de rua, nas estatísticas de homicídios, suicídios e violência doméstica. Precisamos olhar para a saúde mental, comportamental e física desse homem se quisermos resolver os problemas estruturais da nossa sociedade. Há mais de dez anos defendo a paternidade como essa possibilidade real de transformação”, enfatizou Marcos Piangers.
A agenda do encontro avançou sobre a urgência de respostas efetivas para conter os crimes de gênero no painel “O Feminicídio e a Violência Multifacetada contra a Mulher”. A mesa debateu o recrudescimento da violência, a propagação da misoginia em ambientes digitais e a importância do fortalecimento da autonomia financeira das vítimas. Ao presidir o debate, a conselheira do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), Karen Luise, defendeu a articulação entre órgãos públicos, sociedade e iniciativa privada para garantir a proteção integral às mulheres.
“Para combater efetivamente o feminicídio, não basta focar apenas na persecução penal. Existe um caminho anterior que exige o fortalecimento da rede de proteção e o reconhecimento de que o patriarcado vulnerabiliza as mulheres de forma sistemática. Precisamos unir forças para garantir que essa proteção alcance todas as mulheres, sejam elas pretas, brancas, ribeirinhas ou quilombolas”, ressaltou a conselheira
Inovação e boas práticas em pauta
Paralelamente às mesas centrais, o Espaço Inovação Maria Quitéria recebeu a apresentação de 21 projetos institucionais com impacto social mensurado, promovendo a troca direta de tecnologia social entre membros de diferentes regiões brasileiras.O espaço homenageia a heroína da independência baiana e permanece com apresentações ao longo de todo o dia.
Sobre o 3º CONAMP Mulher
O 3º CONAMP Mulher segue até esta sexta-feira (21), no Trapiche Barnabé, bairro do Comércio. A programação ocorre das 9h às 18h com palestras e painéis temáticos. Detalhes sobre os conferencistas e a grade completa de atividades estão disponíveis no site oficial do evento: https://conteudo.conamp.org.br/congressoconampmulher.
Realização e apoios
O 3º CONAMP Mulher é realizado pela Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (CONAMP) e pela Associação do Ministério Público da Bahia (AMPEB), com apoio institucional do Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA). O evento conta com a parceria estratégica da Bahia Turismo, Prefeitura de Salvador, Governo do Estado da Bahia, Conselho Nacional de Procuradores-Gerais (CNPG), Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon), Future Climate Group, Instituto Trata Brasil e Jusprev. O patrocínio é assinado por Aegea, Dígitro, Grupo TechBiz, Ecora, BYD, FIEB, Companhia Baiana de Produção Mineral (CBPM), Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas Não Alcoólicas (ABIR) e Banco do Brasil.

