sexta-feira, maio 22, 2026
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Comer no piloto automático: por que a distração está mudando nossa relação com a comida?

Nutróloga Suzana Viana alerta para os impactos das distrações durante as refeições e explica como o excesso de estímulos interfere nos sinais do organismo

Assistir vídeos, responder mensagens, trabalhar ou navegar nas redes sociais enquanto come já virou parte da rotina de muita gente. Em meio à pressa e ao excesso de estímulos do dia a dia, a alimentação acaba acontecendo no automático, quase sempre acompanhada de outra atividade. Segundo a médica nutróloga Suzzana Viana, esse comportamento pode alterar a forma como o corpo percebe fome, saciedade e digestão.

A especialista explica que o cérebro precisa estar minimamente conectado ao momento da refeição para interpretar adequadamente os sinais do organismo. “A saciedade não acontece de forma imediata. Existe um tempo para que hormônios ligados à fome e à satisfação alimentar atuem e sinalizem ao cérebro que aquela necessidade já foi suprida. Quando a pessoa come distraída e muito rápido, ela tende a ultrapassar esse limite sem perceber”, afirma Suzana.

De acordo com a médica, o uso constante do celular durante as refeições cria uma espécie de “desconexão” entre cérebro e sistema digestivo. Isso porque a atenção fica voltada para o excesso de informações e estímulos da tela, reduzindo a percepção sobre o próprio ato de comer. “Muitas pessoas terminam a refeição sem lembrar exatamente o que comeram ou em qual quantidade comeram. Essa falta de percepção interfere diretamente nos mecanismos de controle alimentar”, explica.

Além da tendência ao consumo excessivo de calorias, o hábito também impacta a digestão. A nutróloga destaca que mastigar pouco e comer rapidamente sobrecarrega o sistema digestivo, favorecendo sintomas como sensação de estufamento, gases, azia e refluxo. “A digestão começa na boca. Quando a mastigação acontece de forma inadequada, o estômago recebe partículas maiores de alimento e precisa trabalhar mais para realizar esse processamento”, diz.

Outro ponto importante, segundo Suzana Viana, é o impacto metabólico. Estudos já associam refeições muito rápidas ao aumento da resistência à insulina e a maiores oscilações glicêmicas, o que pode favorecer ganho de peso e aumentar o risco de doenças metabólicas ao longo do tempo. Atualmente, segundo dados do Vigitel, a obesidade atinge cerca de 25% da população brasileira.

Para a médica, pequenas mudanças na rotina já ajudam a melhorar a relação com a alimentação. “Não se trata de transformar a refeição em um ritual perfeito, mas de recuperar presença durante esse momento. Comer mais devagar, mastigar melhor e reduzir distrações permite que o corpo responda de forma mais equilibrada em relação à saciedade e à digestão”, finaliza.

Suzana Viana

Suzana Viana é médica formada pela Faculdade de Tecnologia e Ciências (2013), com pós-graduação em Gastroenterologia pela Faculdade IPEMED (2019) e nutróloga titulada pela Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN). Atua como nutróloga, auxiliando pacientes com problemas gastrointestinais, lipedema, disbiose, obesidade, menopausa e fertilidade.

Foto: Magnific

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