Através de uma profunda pesquisa estética, Galter conduz o seu grupo por uma viagem que expande a sua busca por novos caminhos
No dia 27 de agosto, a Gravadora Rocinante apresenta o novo trabalho do pianista baiano Marcelo Galter intitulado “Marcelo Galter investiga a beleza sem fim de Dorival Caymmi”. Disponível em vinil e nas principais plataformas de streaming, o disco estabelece uma filiação clara do músico aos métodos e processos criativos do grande patrono da música brasileira.
Dorival Caymmi possuía a genialidade de sintetizar no violão o ritmo e a complexidade de uma agremiação percussiva inteira. Compartilhando dessa mesma leitura criativa, Marcelo Galter utiliza o novo trabalho para aprofundar um método criativo que já é a sua marca registrada. A transposição da linguagem de outros instrumentos para o piano é um processo contínuo em sua carreira, uma reconhecida assinatura estética. Neste projeto, ele expande essa pesquisa para reivindicar sua identificação orgânica com o método de Caymmi e a evidente reverência à linguagem de instrumentos como a viola de machete do Recôncavo, o berimbau e os tambores afro-baianos.
“Eu precisei beber nessas linguagens para desenvolver meu jeito de tocar piano. A força da oralidade para mim é a transmissão de conhecimento através do corpo, da voz, da convivência, e não apenas da escrita formal. Este é o mesmo espírito que também guiou Caymmi a trazer as suas próprias vivências na Bahia antiga do samba de roda e dos pregões de rua, para desenvolver o seu estilo próprio de compor, cantar e tocar violão”, afirma Marcelo.
E o álbum traz uma novidade: Marcelo Galter utiliza sua própria voz como instrumento em diversas faixas, desalinhando as barreiras entre a música instrumental e a música cantada. Se expressando de corpo inteiro, o artista mergulha na obra de Caymmi com toda liberdade. “É um pretexto para a minha assinatura como pensador, pesquisador e compositor investigar todas as possibilidades criativas que me aproximam da síntese genial que Caymmi fez do cancioneiro baiano”, descreve o pianista.
Águas
Em “Marcelo Galter investiga a beleza sem fim de Dorival Caymmi” não há apenas um mar, mas diversas águas que batizam o encontro da obra do compositor baiano com Marcelo e seus companheiros de projeto. Essa vivência que Galter descreve de forma poética como um “piano marítimo” trouxe Mû Mbana, músico de Guiné-Bissau que, com sua voz e flauta fulani, conduz na música ‘Lagoa do Abaeté’ uma imersão aos mais profundos mistérios da Bahia.
Os companheiros de Galter desenvolveram o projeto amalgamados pela cumplicidade de uma longa parceria criativa. “Esse é um disco feito por baianos. Não somos turistas interessados em folclore. Somos pessoas nascidas dentro dessa tradição e interessadas em levar adiante essa música – que também é a música de Caymmi – e tudo o que ela representa”, resume Marcelo.
No disco, a musicalidade do candomblé é ressaltada pela presença de Luizinho do Jêje, que além de sua intuição profunda, utiliza instrumentos sagrados e outros inusitados feitos a partir de panelas, por exemplo. Ldson Galter conduz o contrabaixo se misturando à trama dos tambores e ao mesmo tempo se confunde com o próprio vento. Reinaldo Boaventura, além de trazer os seus mil sons, honra a tradição do samba que herdou das mulheres de sua família, vindas do Recôncavo.
“Marcelo Galter investiga a beleza sem fim de Dorival Caymmi” não é um tributo reverencial e estático. Em vez de apenas emoldurar o passado, Galter abraça a mesma ousadia e a mesma sede de invenção que fizeram de Dorival um eterno visionário. O resultado é um disco sedutor e surpreendente. “Com este disco, quero convidar a um mergulho nas águas da Bahia para constatar o que o próprio título já anuncia: a beleza de Caymmi é, de fato, infinita”, provoca Galter.
Ficha técnica
Direção artística e produção musical: Marcelo Galter e Sylvio Fraga
Direção musical e arranjos: Marcelo Galter
Gravação: Arthur Damásio, Flávio Marcos Batata e Guido Pera no Visom Digital
Assistentes de gravação: Caio Faria, Gelson Jr. Santana e Luís Fernando Marques
Mistura: Pedro Durães
Masterização: Zino Mikorey at Vivid Dreams
Edição: Arthur Damásio
Coordenação artística: Jhê
Coordenação técnica: Arthur Damásio e Flávio Marcos Batata
Projeto gráfico: Celso Longo + Daniel Trench
Fotografias da capa e do pôster: Diego Bresani
Assistência de fotografia: Luca Narracci
Figurino: Masta Ariane
Assistência de figurino: Artemis Ahmadi
Fotografias da contracapa: João Atala, Lucca Mezzacappa e Thiago Pozes
Direção executiva: Bruno Vieira
Produção executiva: Alessandra Ramalho
Assistente de produção: Flora Gaiad
Afinador de piano: Guthenberg Pereira
Fotos: Diego Bresani

