Pela primeira vez, os três poderes do Estado estarão sediados na “Cidade Heroica” neste 25 de junho, honrando o solo onde a bravura popular deu os primeiros passos para a Independência da Bahia.
As pedras das ruas de Cachoeira guardam mais do que história; elas guardam o eco do clamor por liberdade que, em 1822, transformou o Recôncavo Baiano no berço de uma nação independente. Neste ano de 2026, o gesto de reconhecimento a esse legado ganha um novo e profundo capítulo. Além do Poder Executivo, que tradicionalmente transfere sua sede para o município nesta data, o Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) e a Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) também oficializarão a transferência de suas sedes para a cidade por um dia.
A ação não é apenas administrativa, mas um mergulho na identidade de um povo que não aceitou o domínio e escolheu o próprio destino. Ao levar a estrutura dos três poderes para o município, o Estado da Bahia reafirma que a justiça, as leis e o governo devem estar onde a história começou: perto das pessoas.
A transferência, amparada pelo Decreto Judiciário nº 540/2026 e por resoluções legislativas, permite que atos institucionais e sessões solenes ocorram no coração de Cachoeira. Para o cidadão cachoeirano, ver o magistrado, o deputado e o governador despachando de sua terra é um símbolo de que a periferia da história oficial, muitas vezes esquecida pelos livros didáticos nacionais, é, na verdade, o centro da resistência brasileira.
“Estar em Cachoeira é reconhecer que a nossa democracia e a nossa justiça foram conquistadas com sangue e coragem popular. É um ato de humildade do poder público diante da grandeza histórica desta cidade”, afirma a gestão estadual.
Foi em 35 de julho de 1822 que a Câmara de Cachoeira rompeu com a Coroa Portuguesa e aclamou Dom Pedro como Regente, enfrentando bombardeios e batalhas sangrentas que durariam dias. Sem o levante de Cachoeira, a vitória final do 2 de Julho em Salvador talvez nunca tivesse ocorrido.
A programação em Cachoeira incluirá:
- Hasteamento de bandeiras: Um momento de união entre as autoridades e a comunidade.
- Sessões Solenes: Onde o diálogo sobre o futuro do estado se encontra com o respeito ao passado.
- Te Deum: A tradicional celebração religiosa na Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário, honrando os antepassados.
Mais do que a movimentação de autoridades, a presença dos Poderes Judiciário e Legislativo busca fomentar a cultura e a autoestima local. É um convite para que cada baiano olhe para o Recôncavo e veja ali o reflexo de sua própria força.
Neste 25 de junho, Cachoeira não será apenas a capital simbólica da Bahia; ela será o lembrete vivo de que a verdadeira justiça se faz com a participação do povo, e que a liberdade, uma vez conquistada, deve ser celebrada e protegida todos os dias.
A transferência das Sedes dos Poderes Executivo, Judiciário e Legislativo para Cachoeira. acontecerá na sede do fórum da Comarca, na Câmara Municipal e na Praça da Aclamação, Cachoeira-BA.

