Mulheres conquistam recorde de cadeiras na Câmara dos Deputados e no Senado, enquanto distribuição de vagas ainda revela diferenças entre estados e partidos
As eleições de 2026 registraram avanços na representação feminina nos espaços de poder no Brasil, com recordes de mulheres eleitas para a Câmara dos Deputados e o Senado Federal. Apesar dos resultados positivos, a participação das mulheres na política institucional ainda enfrenta desafios, especialmente diante das diferenças na distribuição das vagas entre estados e partidos.
De acordo com levantamento da Flag Public Affairs, 7.188 candidaturas femininas foram registradas. O documento aponta que 348 mulheres foram eleitas, o equivalente a 4,85% das candidaturas femininas, segundo os indicadores apresentados no relatório.
Na Câmara dos Deputados, foram eleitas 109 mulheres, 18 a mais do que em 2022, quando a bancada feminina contabilizou 91 representantes. O resultado representa o maior número de deputadas federais já registrado na história da Casa. Mesmo com o crescimento, as mulheres ocuparão 21,2% das cadeiras, enquanto os homens representarão 78,8% da composição.
O desempenho também foi expressivo no Senado Federal. Das 54 vagas em disputa, 12 foram conquistadas por mulheres, oito a mais do que no pleito anterior. A partir de 2027, a Casa passará a contar com 18 senadoras, ampliando a presença feminina, embora ela ainda corresponda a uma parcela minoritária do total de parlamentares.
Diferenças regionais e partidárias
O avanço da representação feminina na Câmara dos Deputados não ocorreu de maneira uniforme pelo país. São Paulo lidera o número de deputadas federais eleitas, com 16 representantes, seguido por Minas Gerais, com 11, e Rio de Janeiro, com dez. Em contrapartida, Distrito Federal, Piauí e Roraima não elegeram nenhuma mulher para o cargo.
Em contrapartida, o Acre não elegeu nenhuma mulher para Assembleia estadual.
A distribuição das vagas também evidencia diferenças entre as legendas partidárias. O Partido dos Trabalhadores (PT) elegeu 26 deputadas federais, seguido pelo Partido Liberal (PL), com 22. PSOL e União elegeram oito mulheres cada, enquanto PCdoB e Podemos conquistaram sete cadeiras femininas cada.
No Senado, o PL reuniu o maior número de mulheres eleitas, com três representantes, seguido pelo PT, com duas. Rede, União, Podemos, MDB, Republicanos e PSDB elegeram uma senadora cada. Territorialmente, o Distrito Federal se destacou ao eleger duas mulheres, enquanto outras dez unidades da Federação elegeram uma senadora cada.
Assembleias Legislativas também registram avanços
Nos legislativos estaduais, o levantamento contabilizou 214 deputadas estaduais eleitas em 2026. São Paulo aparece novamente na liderança, com 27 representantes, seguido por Minas Gerais, com 20; Rio Grande do Sul, com 16; Rio de Janeiro, com 15; e Ceará, com 13.
A presença feminina alcançou 26 unidades da Federação. Apenas o Acre não elegeu nenhuma mulher para o cargo de deputada estadual. Segundo o relatório, 27 estados e o Distrito Federal elegeram ao menos seis mulheres?
Representação feminina ainda é um desafio
Os números demonstram que as eleições de 2026 ampliaram a presença das mulheres em espaços estratégicos de decisão política. Entretanto, o crescimento no número de eleitas não elimina a desigualdade de gênero na composição das instituições legislativas.
A participação feminina continua abaixo de sua presença no eleitorado, conforme destaca o levantamento, e os resultados variam significativamente de acordo com a unidade da Federação e a legenda partidária.
O cenário reforça a importância de acompanhar não apenas o número de candidaturas femininas, mas também as condições efetivas de participação e competitividade das mulheres nas disputas eleitorais. A ampliação da presença feminina nos espaços de poder permanece como um dos indicadores relevantes para avaliar a representatividade e a pluralidade da democracia brasileira.
Fonte: levantamento “Eleições 2026 — Representação Feminina no Executivo e Legislativo”, da Flag Public Affairs.

