sexta-feira, maio 15, 2026
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Doenças cardiovasculares matam mais mulheres que o câncer e exigem atenção a fatores silenciosos 

No Dia Mundial da Hipertensão (17/05), especialistas alertam para o impacto da sobrecarga mental, da dupla jornada e das alterações hormonais na saúde do coração 

Embora o imaginário social ainda associe os infartos e problemas de coração aos homens, as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte entre as mulheres no Brasil. Dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) apontam que esses quadros matam uma em cada três brasileiras por ano, superando, inclusive, as estatísticas do câncer. 

No contexto do Dia Mundial da Hipertensão Arterial, celebrado em 17 de maio, cardiologistas reforçam que a prevenção na saúde feminina vai muito além do básico. Além dos riscos tradicionais, como sedentarismo, má alimentação e tabagismo, as mulheres estão expostas a complicadores hormonais e sociais frequentemente subdiagnosticados. 

Um posicionamento recente da SBC destaca que fases específicas da vida da mulher, como o uso de contraceptivos hormonais, a gravidez (com o risco de hipertensão gestacional), a síndrome dos ovários policísticos e a chegada da menopausa, exigem um monitoramento cardiológico muito mais atento. 

Para a cardiologista Raquel Almeida, da Hapvida, o principal desafio é cultural: a negligência com o próprio cuidado em meio à rotina exaustiva. “As mulheres costumam assumir a função de cuidar de toda a família e acabam deixando a própria saúde em segundo plano. O grande perigo é que a hipertensão costuma ser silenciosa”, alerta. 

Segundo a especialista, a pressão alta não dá sinais claros no início, o que atrasa o diagnóstico e eleva o risco de infarto e AVC. “Fatores como o uso de anticoncepcionais, reposição hormonal e a forte carga de estresse da dupla jornada impactam diretamente a pressão arterial. Por isso, medir a pressão regularmente é fundamental, principalmente após os 40 anos ou na entrada da menopausa”, explica a médica. 

A atenção, segundo a especialista, deve ser redobrada durante a gravidez, período em que a hipertensão (pré-eclâmpsia) coloca em risco a vida da mãe e do bebê, exigindo pré-natal rigoroso. 

Prevenção é um conjunto de atitudes 

Apesar da gravidade dos dados, a reversão desse quadro está ao alcance no dia a dia. A medicina aponta que a maioria das doenças cardiovasculares têm ligação direta com o estilo de vida. 

“Não existe uma fórmula mágica ou uma única mudança, mas sim um escudo de proteção construído com hábitos diários. A atividade física regular, por exemplo, melhora o colesterol, regula o açúcar e controla a pressão. Somado a isso, reduzir o sal, dormir bem e gerenciar a sobrecarga mental fazem uma diferença real. O principal recado para as mulheres é: não esperem sentir dor ou mal-estar para procurar um médico. A prevenção é o melhor tratamento”, conclui a cardiologista.

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