terça-feira, julho 7, 2026
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Com indústria de ‘luxo’ em alta, setor projeta US$ 142 bilhões em 2026; executiva baiana explica mudanças no mercado global

Executiva e empresária há mais de três décadas, a diretora da Model Club Agency, Mônica Mota, explica que o crescimento do setor é impulsionado pela nova demanda das grifes. Até o final do ano, consumo, passarelas e campanhas passam a priorizar identidade, autenticidade e conexão com o consumidor.

A indústria mundial da moda de luxo e alta-costura deve reinventar suas estratégias de negócio, no máximo, até o final deste ano. Longe de ser apenas uma vitrine de produtos exclusivos, o setor estima mais de US$ 142 bilhões em receitas no ano de 2026, segundo o relatório Luxury Fashion – Worldwide da Statista

Ancorado na excelência da jornada do cliente, fidelização e construção de conexões emocionais profundas, estima-se que esse mercado cresça anualmente 1,5%. Essa mudança estrutural também acompanha as passarelas e campanhas globais, com as “maisons” (casas de alta-costura como Dior e Valentino) em busca de conexões genuínas com o consumidor.

Priorizando ‘identidade e autenticidade’ no consumo, nas campanhas publicitárias e nas passarelas, a era dos padrões estéticos rígidos e inacessíveis está dando lugar a uma demanda latente por presença e representatividade. Na prática, a indústria tem tentado dialogar com uma geração de consumidores que rejeita a artificialidade. 

Executiva e empresária há mais de três décadas, a diretora da Model Club Agency, Mônica Mota, explica que as mudanças no setor fashion alteraram drasticamente a dinâmica em outros setores, como as ‘semanas de moda’ (fashion weeks) em Paris, Milão e Nova York

“O mercado de alta-costura (de luxo em geral) passa por um amadurecimento onde as marcas perceberam que a beleza estática já não engaja mais. Hoje, os diretores de casting buscam o conceito de presença, procurando modelos que tenham uma identidade marcante e que expressem sua ancestralidade e suas histórias reais através da passarela. Para alcançar os moldes econômicos, a indústria precisou se reinventar, e os resultados, tanto comercialmente quanto financeiramente, têm crescido a partir desses novos expoentes”, avalia a executiva.

Nesse contexto, o Brasil ganha espaço como um importante acervo de talentos para o mercado internacional. A diversidade cultural e étnica do país tem chamado a atenção de agências e grifes, que buscam perfis capazes de traduzir autenticidade e identidade nas passarelas e campanhas. À frente da Model Club Agency, Mônica acompanha esse movimento de perto, lançando nomes como Camille Vitória, Josefa Santos, Yasmin Cunha e Bruna Louise, hoje presentes nas principais fashion weeks, campanhas e desfiles de marcas para Dior, Valentino e Ami Paris.

“Não estamos mais falando de uma preparação superficial de passarela e fotografia. Hoje, o mercado exige que o modelo compreenda o posicionamento de negócios da marca que representa. O talento que não desenvolve inteligência emocional e uma visão estratégica de carreira não se sustenta nessa nova engrenagem do luxo global. Os executivos perceberam que as maisons são melhor posicionadas quando há uma conexão, uma empatia do público, um reconhecimento; e nada melhor que as passarelas globais para gerar esse sentimento de pertencimento. Assim, toda uma cadeia é alimentada, desde o consumo aos holofotes da moda”, pontua.

Seguindo essa perspectiva, as projeções do relatório Global Powers of Luxury 2026 da Deloitte, mostram que o mercado de luxo global projeta um ano em que o ‘valor’ deve superar o volume de vendas, com 67% dos executivos do setor no aguardo de receitas estáveis ou crescentes e 70% prevendo ‘manter’ ou melhorar suas margens de lucro. 

As projeções indicam que as empresas de bens de luxo que conseguirem equilibrar o legado histórico de suas marcas com uma comunicação humana continuarão a liderar os índices de crescimento. Segundo Mônica, esse movimento consolida uma tendência de mão única na indústria, em que o valor de mercado da marca depende da sua capacidade de se conectar com a realidade.

“No cenário econômico atual da moda global, o valor da autenticidade deixou de ser apenas um conceito abstrato ou de relações públicas para se tornar um ativo financeiro indispensável e estratégico para a sobrevivência do próprio mercado de alta-costura”, conclui.

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