quarta-feira, maio 13, 2026
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Cimed amplia presença no mercado e aposta em bens de consumo para acelerar crescimento

A Cimed, tradicionalmente conhecida pelos medicamentos genéricos, consolidou uma mudança estratégica que vem transformando o posicionamento da empresa no mercado brasileiro. Em março de 2026, a farmacêutica liderou o ranking nacional de bens de consumo, alcançando R$ 479,6 milhões em vendas no mês.

O movimento reflete uma estratégia iniciada em 2021, quando os produtos de consumo — aqueles que não exigem prescrição médica — representavam 31% do faturamento da companhia. Atualmente, essa divisão já responde por 60% da receita da empresa.

Em 2025, a Cimed registrou faturamento de R$ 3,07 bilhões, crescimento de 12,5% em relação ao ano anterior, acima da média de expansão do setor farmacêutico, que foi de 11,3%. No primeiro trimestre de 2026, a companhia alcançou R$ 1 bilhão em receita, alta anual de 20%.

Apesar do crescimento, a mudança de perfil do negócio impactou indicadores financeiros importantes. Enquanto medicamentos genéricos costumam operar com margens brutas em torno de 70%, os bens de consumo trabalham com margens próximas de 35% e exigem investimentos elevados em marketing, entre 15% e 20% da receita.

Em 2025, o lucro líquido da empresa recuou 30%, encerrando o ano em R$ 196,7 milhões. A margem Ebitda caiu para 16%, abaixo da média histórica de 21%, enquanto o fluxo de caixa operacional fechou negativo em R$ 55,5 milhões. O retorno sobre capital investido (ROIC), que ultrapassava 30% em 2017, ficou em 13% em 2025.

O CEO da companhia, João Adibe, afirma que os resultados fazem parte de uma estratégia de longo prazo voltada para fortalecimento de marca e ampliação de mercado. Segundo ele, ao contrário dos medicamentos, os produtos de consumo criam recorrência, hábitos e identificação com o público.

“Como os itens costumam ter prazo de validade inferior aos medicamentos, se você errar, eles vencem na prateleira. Temos então que diminuir a margem para aumentar o giro”, explicou Adibe.

Um dos principais exemplos dessa estratégia é o Carmed. O hidratante labial, relançado com colaborações envolvendo marcas e personalidades como Fini, Ana Castela e Coca-Cola, acumula R$ 2 bilhões em vendas desde o reposicionamento da marca e soma 1,1 milhão de seguidores no TikTok.

A marca também abriu caminho para a entrada da Cimed no segmento de oral care. Em apenas um ano, a companhia afirma ter conquistado 60% de participação no mercado infantil de enxaguantes bucais e cremes dentais. A empresa também prepara sua entrada no setor de maquiagem ainda em 2026.

Além do Carmed, a farmacêutica vem ampliando seu portfólio de marcas. A linha Super, voltada para cuidados pessoais e higiene bucal, foi lançada durante o BBB em parceria com o influenciador Toguro, mirando especialmente o público de motoboys. A marca já acumula R$ 150 milhões em faturamento e projeta encerrar 2026 com R$ 600 milhões.

Outra aposta é a marca Urso, focada em suplementação e lifestyle fitness, prevista para chegar ao mercado em agosto com 32 produtos e projeção de R$ 1,2 bilhão em receita até 2029. Já a Lavitan expandiu sua atuação para bebidas proteicas.

A Cimed também aguarda aprovação regulatória da Anvisa para lançar uma versão própria do Ozempic, medicamento voltado ao tratamento da obesidade e diabetes. Segundo a empresa, o produto poderá chegar ao mercado a partir de 2027.

A expansão da companhia ganhou reforço em 2025 com a entrada do GIC, fundo soberano de Singapura, que adquiriu participação minoritária na empresa por meio de aporte primário. O investimento trouxe capital para expansão e fortaleceu a governança da farmacêutica.

Entre os projetos previstos está a construção de uma nova planta industrial, com investimento estimado em R$ 150 milhões para 2026. A companhia também avalia, no futuro, separar as operações farmacêutica e de consumo em estruturas independentes.

O objetivo da Cimed é atingir R$ 10 bilhões de faturamento até 2030, atuando em 10 categorias diferentes. João Adibe afirma que a ambição é transformar a empresa em uma espécie de “P&G brasileira”, com marcas fortes e presença nacional em diferentes segmentos de consumo.

Segundo dados do Euromonitor, o mercado brasileiro de beleza e cuidados pessoais movimenta atualmente R$ 173,4 bilhões e pode alcançar R$ 267,6 bilhões até 2029.

A estratégia da companhia aposta na expansão de marca, fortalecimento da presença no cotidiano do consumidor e crescimento em novos segmentos, ainda que isso represente pressão sobre margens e indicadores financeiros no curto prazo.

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