segunda-feira, agosto 31, 2026
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A vida comum virou obra: Roxinha Lisboa traz sua arte a Salvador

O olhar de uma mulher do sertão que está pintando o Brasil de dentro pra fora

Com curadoria e expografia inéditas assinadas por Jinny Lim, Meu Brasil Interior — Mãos que Tecem o Futuro apresenta 63 obras organizadas em cinco núcleos que narram a linha do tempo de Roxinha Lisboa, dos primeiros traços em pedras e paredes à artista que saiu do ateliê e ganhou o mundo. Na CAIXA Cultural Salvador até 22 de novembro, com entrada gratuita

o Brasil que sente: Roxinha Lisboa chega a Salvador com a força, a beleza e a poesia da mulher do sertão
Com curadoria e expografia inéditas assinadas por Jinny Lim, Meu Brasil Interior — Mãos que Tecem o Futuro apresenta 63 obras organizadas em cinco núcleos que narram a linha do tempo de Roxinha Lisboa — dos primeiros traços em pedras e paredes à artista que saiu do ateliê e ganhou o mundo. Na CAIXA Cultural Salvador até 22 de novembro, com entrada gratuita

O Brasil que Roxinha Lisboa pinta não é o dos grandes centros. É o Brasil das calçadas de barro, das festas de fim de semana, das mulheres que acordam cedo, trabalham o dia inteiro e ainda encontram tempo para a beleza. É um Brasil forte, bonito e cheio de poesia — e ele chegou a Salvador. Aberta desde 26 de agosto na CAIXA Cultural Salvador — Unidade Carlos Gomes, a exposição Meu Brasil Interior — Mãos que Tecem o Futuro reúne 63 obras de Maria José Lisboa da Cruz, a Roxinha, artista popular alagoana que transformou o olhar de uma mulher do sertão em narrativa universal. Entrada franca, até 22 de novembro.
A edição baiana é a mais ambiciosa da itinerância. Enquanto as etapas de Recife (set–nov/2025) e Fortaleza (mar–jun/2026) — que juntas reuniram mais de 100 mil visitantes — apresentaram o universo visual da artista, Salvador vai além: a curadora Jinny Lim organizou as obras em uma linha do tempo que acompanha a trajetória de Roxinha desde os primeiros traços em pedras e paredes domésticas até o reconhecimento nacional. São cinco núcleos expositivos concebidos especialmente para esta cidade — uma experiência que não existiu em nenhuma outra etapa.
“As obras da artista Roxinha Lisboa estão no centro deste espaço intimista, onde a reflexão sobre o trabalho e o feminino são ferramentas de transformação social.”
— Jinny Lim, curadora
Os cinco núcleos de Mãos que Tecem o Futuro

01 O DESPERTAR
Aos quase 60 anos, o silêncio da saudade é preenchido pelas cores. O que começa em pedras e paredes domésticas torna-se o alicerce de uma produção que revela um Brasil profundo, onde o fazer manual é a primeira forma de resistência feminina.

02 O TECIDO DA EXISTÊNCIA
O trabalho braçal e a gestão do cotidiano fundem-se à estética, mostrando que a vida de Roxinha é um espelho da força feminina brasileira que tece, com rigor, disciplina e arte, seu próprio destino.

03 *HOJE ACORDEI LINDA*
A maturidade traz o reconhecimento. O belo deixa de ser externo e passa a habitar o orgulho de si. Nesta etapa, a artista celebra a identidade feminina recuperada, onde cada tela é um ato de dignidade e coroação através do afeto e da arte.

04 O SAGRADO ORDINÁRIO
O ateliê doméstico torna-se patrimônio. Pincéis e utensílios simples são elevados à poesia visual. A observação atenta transforma o dia a dia da artista no interior em uma resistência íntima e conectada com a história do mundo.

05 O ECO DO DIÁLOGO
A jornada não se encerra na tela, mas no outro. O público é convidado a integrar esta conversa, transformando a admiração em troca ativa e garantindo que o Brasil Interior de Roxinha continue a pulsar em cada nova mensagem enviada.

Nascida em 1956 em Lagoa de Pedra, Pão de Açúcar (AL), Roxinha Lisboa trabalhou no campo, quebrou brita em pedreira e foi coletora de resíduos por quase 20 anos. Começou a pintar aos 59 anos, de forma autodidata, ao lado do marido Domingos Lisboa — motivada pela saudade da filha Débora, que havia migrado para São Paulo. O que nasceu da saudade tornou-se obra. O que era doméstico tornou-se patrimônio.
“É rir, é se divertir… é tudo, né? É ficar encantada com as cores, com as histórias que eu invento, o que eu vejo e o que eu sei. Da vida. Eles vão encontrar muitas coisas para rir, sorrir, brincar, tirar foto.”
— Roxinha Lisboa, sobre o que o público vai encontrar na mostra
Sua linguagem abraça o arcabouço cultural do Nordeste, manifestando-se em cenas que elevam o ordinário ao poético. As expressões do cotidiano feminino são o eixo central da produção — mulheres que trabalham, que celebram, que envelhecem com beleza, que escrevem a própria história com rigor e afeto. “O Brasil que ela pinta com cores vibrantes e crônicas manuscritas”, descreve a curadora Jinny Lim, “é o país construído diariamente pelo rigor, pela disciplina e pela necessidade vital de registrar a própria história.”
Salvador foi também a cidade do primeiro banho de mar e do primeiro acarajé de Roxinha Lisboa. “A Bahia pra mim é tudo. Tudo de bom”, disse a artista no vernissage realizado em 25 de agosto. Meu Brasil Interior — Mãos que Tecem o Futuro pode ser visitada até 22 de novembro, de terça a domingo, das 9h às 18h, na Rua Carlos Gomes, 57, Centro. Entrada franca. Classificação livre.

SERVIÇO
Exposição: Meu Brasil Interior — Mãos que Tecem o Futuro | Roxinha Lisboa
Visitação: Terça a domingo, das 9h às 18h
Encerramento: 22 de novembro de 2026
Local: CAIXA Cultural Salvador — Unidade Carlos Gomes | Rua Carlos Gomes, 57, Centro, Salvador (BA)
Telefone: (71) 3421-4200
Entrada: Franca | Classificação: Livre
Informações: meubrasilinterior.com.br | @meubrasilinterior | @caixaculturalsalvador
Realização: Orb Cultural

SOBRE ROXINHA LISBOA
Maria José Lisboa da Cruz, a Roxinha, nascida em 1956 em Lagoa de Pedra, Pão de Açúcar (AL), onde vive até hoje com o marido Domingos Lisboa. Autodidata, começou a pintar aos 59 anos. Sua produção retrata o cotidiano do sertão nordestino com cores vivas, traços livres e crônicas manuscritas — e é reconhecida como uma das expressões mais vibrantes da arte naïf contemporânea brasileira.

SOBRE A CURADORA
Jinny Lim é administradora, economista e bacharel em Direito, natural de Salvador, Bahia. Conheceu o trabalho de Roxinha Lisboa em 2023, após visita à exposição no Museu do Pontal, no Rio de Janeiro. Assina a curadoria de Meu Brasil Interior — Mãos que Tecem o Futuro, edição Salvador, com expografia inédita concebida especialmente para a capital baiana.

SOBRE O PROGRAMA CAIXA CULTURAL APRESENTA
O programa CAIXA Cultural Apresenta viabiliza projetos culturais de grande alcance em todo o Brasil, com foco na democratização do acesso à arte e na valorização de expressões culturais brasileiras.

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