terça-feira, novembro 3, 2026
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Crescer no circo: a história das famílias do Circo Portugal Internacional

Entre viagens e ensaios, os artistas conciliam trabalho, estudo e vida pessoal pelas estradas do país

As luzes fortes do picadeiro dão ênfase ao personagem no palco. Maquiados e vestidos à caráter, com roupas de paetês, os artistas levam a alegria do circo para o universo de crianças, adolescentes e até dos adultos. São palhaços, malabaristas, mágicos, bailarinas e trapezistas que dão vida a um verdadeiro show. Por trás de toda essa montagem que esconde a identidade dos artistas, existem profissionais que fazem o espetáculo acontecer. A equipe se envolve para transmitir ao público mais do que entretenimento: cultura. O que muita gente não imagina, é que embaixo daquela lona, famílias são formadas, criando anos de tradições e gerações.

Fundado em 1890, na cidade de Braga, em Portugal, o Circo Portugal mantém a tradição há sete gerações e já percorreu muitas décadas de estrada. Hoje, carrega cerca de 100 profissionais diretos e indiretos, entre artistas, técnicos e trabalhadores da parte administrativa. Ao todo, são 40 trailers, além de 20 caminhões, que se movem como pequenas casas sobre rodas, levando, além de sonhos, todo o material necessário para encantar plateias. A cada nova parada a estrutura é reconstruída: em três ou quatro dias, um espaço vazio se transforma em uma arena cheia de luz e magia. 

Para quem nasceu sob a lona, como Michele França, diretora artística há mais de 15 anos, mas também mágica e bailarina, o movimento é natural. Ele é a sexta geração de uma família circense. “Muita gente tem curiosidade de saber como é a vida no circo, mas para a gente é rotina. As crianças estudam, cada um tem sua casa, o seu trabalho e os seus compromissos. É como se fosse uma vizinhança”, afirma Michele.

No Circo Portugal, a geração futura aprende observando. As crianças crescem cercadas por números, aplausos e olhares atentos. O picadeiro não é somente dos adultos, é um espaço onde os filhos se espelham nos pais e aprendem o ofício brincando. “As crianças de circo acabam brincando de circo. Para eles não é uma profissão, é uma brincadeira, mas que no futuro pode virar coisa séria”, complementa Michele.

Os circenses trabalham conjuntamente e a família também vai se unindo à vida na estrada e ao espetáculo. “O que é interessante na vida de nômade é conhecer vários estados e cidades, pois cada um tem uma cultura diferente. Nós acabamos sendo contagiados com um pouco de cada lugar e deixamos sempre uma pequena semente e levamos sempre um pouco de saudade. Muitas vezes nem dar vontade de ir embora, mas faz parte da nossa rotina e o show precisa continuar m outros lugares. Cada lugar é muito especial”, explica a diretora artística.

Para além do modelo tradicional de família, a tradição circense ensina que é preciso toda uma aldeia para cultivar o afeto, criar os filhos e manter a roda girando. Para as famílias do Circo Portugal, manter viva a tradição significa preservar não apenas os grandes espetáculos, mas também todo o cuidado envolvido nos bastidores. Ao longo de gerações, cada artista e profissional da família contribuiu para construir uma história feita de dedicação, emoção e conexão com o público.

O Circo Portugal internacional está em a temporada em Salvador, com uma estrutura de grande porte, que reúne mais de 900 toneladas de equipamentos, lona com capacidade para cerca de mil espectadores por sessão, ambiente climatizado com ar-condicionado e um exclusivo palco suspenso. As sessões acontecem de segunda a sexta-feira, às 20h, e aos sábados, domingos e feriados, às 15h, 17h30 e 20h. Os ingressos estão à venda no site oficial (circoportugal.com.br) ou diretamente na bilheteria.

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