A busca por imóveis em Portugal já não se concentra apenas em destinos conhecidos, como Lisboa e Cascais. A procura por qualidade de vida, contato com a natureza e novas formas de morar também coloca outras regiões no radar de moradores e investidores. É nesse cenário que a Ericeira, a cerca de 50 quilômetros de Lisboa, ganha relevância. Reconhecida internacionalmente pelo surf e pela relação com o litoral, a vila reúne características que vão além da atratividade turística e ajudam a orientar novas perspectivas para o desenvolvimento imobiliário.
É nesse mercado que atua o empreendedor baiano Carlos Andrade, fundador e diretor da Capa Concepts, empresa com projetos no Brasil e em Portugal. Ao acompanhar realidades distintas, ele identifica na compreensão das particularidades de cada região um ponto de partida para desenvolver produtos imobiliários conectados ao modo de vida local. Na Ericeira, esse olhar considera tanto o reconhecimento internacional do destino quanto a paisagem, a escala da vila e a identidade da comunidade.
Em 14 de outubro de 2011, a Ericeira tornou-se a primeira Reserva Mundial de Surf da Europa. Quinze anos depois, o título continua associado à projeção internacional da região, que também registra demanda turística expressiva. Segundo levantamento, a ocupação chegou a quase 70% ao longo de 241 noites em um período de um ano. Para Carlos Andrade, esses indicadores ajudam a compreender a atratividade do lugar, mas precisam ser analisados em conjunto com os fatores que sustentam sua identidade. “Um destino não se torna desejado apenas pelo que oferece a quem o visita. É preciso entender o que faz as pessoas quererem voltar, permanecer por mais tempo ou estabelecer residência ali. Na Ericeira, o surf projetou a região internacionalmente, mas a natureza, o ritmo de vida e a relação com a comunidade também fazem parte do que torna esse território atrativo”, afirma.

Essa leitura do entorno influencia a própria concepção dos empreendimentos. O desenvolvimento imobiliário exige conciliar a experiência que se deseja proporcionar aos futuros moradores com as condições concretas de execução. É o que ele define como criatividade pragmática, uma abordagem em que arquitetura, engenharia, custos e mercado participam das decisões desde o início, sem limitar a capacidade de inovação do projeto. “Criar um imóvel é olhar para frente e entender como as pessoas querem viver, mas também saber transformar essa visão em algo viável. O terreno, a engenharia, os custos e a escolha dos materiais fazem parte do processo criativo. É no diálogo entre o que se deseja projetar e o que é possível realizar que conseguimos desenvolver um produto consistente”, pontua.
A atuação entre Brasil e Portugal também exige reconhecer que oportunidades identificadas em um mercado não podem ser simplesmente reproduzidas no outro. Na Ericeira, a paisagem costeira, as áreas naturais e a identidade local precisam fazer parte da equação, tanto para compreender a demanda quanto para pensar projetos coerentes com o território. A questão, portanto, não é apenas identificar onde há interesse imobiliário, mas entender quais produtos fazem sentido para aquele contexto. “Trabalhar em mercados diferentes amplia o nosso repertório, mas também mostra que cada lugar exige uma leitura própria. O objetivo da Capa é observar as mudanças no comportamento das pessoas, entender as características de cada território e transformar esse conhecimento em projetos adequados à realidade local. Na Ericeira, isso significa considerar o que atrai novos moradores e investidores sem perder de vista os elementos que fazem da região um lugar singular”, conclui o fundador da Capa Concepts.
A experiência reforça a proposta da Capa Concepts de integrar leitura de mercado, identidade local e viabilidade na concepção de seus empreendimentos. Em regiões como a Ericeira, compreender o que sustenta a atratividade de um destino é parte fundamental do processo de desenvolvimento imobiliário, tanto para responder às novas formas de morar quanto para identificar oportunidades de investimento alinhadas às características do lugar.
Fotos: Carlos Andrade e Fernanda Queiroz

