Três décadas após a publicação de Menstruação: A Sangria Inútil, o legado do médico e pesquisador baiano Elsimar Coutinho continua presente nas discussões sobre saúde feminina. Lançado em 1996, o livro provocou debates ao questionar paradigmas relacionados à menstruação e defender um olhar mais atento à qualidade de vida e às particularidades de cada mulher. Hoje, temas que ganharam espaço a partir dessas discussões, como saúde hormonal, endometriose, menopausa e individualização dos tratamentos, ocupam cada vez mais espaço na medicina contemporânea.
A trajetória de Elsimar Coutinho, que teve projeção internacional nas áreas de reprodução humana e contracepção, também permanece ligada à Bahia. Em 1993, três anos antes do lançamento da obra, o médico fundou a Elmeco, empresa que mantém sua atuação no campo da medicina personalizada e tem entre seus pilares o legado científico deixado pelo pesquisador.
À frente da Elmeco, a diretora executiva Patrícia Rudge destaca que preservar esse legado também significa acompanhar a evolução da ciência. “Décadas antes da medicina personalizada se tornar um dos principais pilares da prática clínica, ele já defendia que as decisões terapêuticas deveriam ser baseadas em evidências científicas, na fisiologia e nas necessidades individuais de cada mulher, ou paciente. Esse talvez seja seu maior legado: mostrar que ciência, inovação e personalização caminham juntas na construção de uma medicina voltada para impactar e transformar positivamente a qualidade de vida de cada paciente”, afirma.
A marca dos 30 anos da publicação chega em um momento em que a saúde da mulher ganha ainda mais espaço nas discussões científicas e nas políticas públicas. É o caso do Projeto de Lei que institui a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde e Qualidade de Vida de Mulheres na Menopausa e no Climatério no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), mostrando que alguns dos debates iniciados décadas atrás continuam atuais.

