quarta-feira, abril 1, 2026
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Anestesia em idosos exige cuidados diferentes?

Alterações fisiológicas e doenças associadas tornam o procedimento mais complexo e exigem atenção redobrada

De acordo com dados da Organização das Nações Unidas, a população com 65 anos ou mais deve dobrar nas próximas décadas, alcançando 1,6 bilhão de pessoas até 2050. Esse envelhecimento populacional, aliado ao aumento do número de cirurgias em pacientes idosos, têm ampliado a necessidade de atenção aos cuidados anestésicos nessa faixa etária. Isso ocorre porque o organismo responde de forma diferente aos anestésicos em razão das mudanças fisiológicas próprias da idade.

Segundo o anestesiologista Nazel Oliveira Filho, diretor de Compliance e Comunicação da Cooperativa dos Médicos Anestesiologistas da Bahia (Coopanest-BA), o envelhecimento envolve uma série de transformações no organismo que influenciam a condução da anestesia. “Observamos alterações no sistema nervoso central, redução da função pulmonar, da reserva cardiovascular e comprometimento das funções renal e hepática. Esses fatores exigem planejamento cuidadoso e monitoramento intensivo durante o procedimento”, explica.

Além das alterações fisiológicas, a presença de doenças associadas torna o cenário mais desafiador. “Condições como doenças cardiovasculares, diabetes, problemas respiratórios e alterações cognitivas são comuns e elevam o risco de complicações”, ressalta Nazel.

Diante desse quadro, a avaliação pré-operatória ganha ainda mais importância. “A identificação de déficits cognitivos, por exemplo, permite antecipar riscos como delirium e disfunção cognitiva pós-operatória”, afirma. Ele destaca ainda que exames como eletrocardiograma e ecocardiograma são fundamentais para mensurar o risco anestésico e avaliar a reserva funcional do paciente.

Para reduzir complicações e favorecer uma recuperação mais segura no pós-operatório, o médico reforça a importância de uma abordagem integrada. “O acompanhamento por uma equipe multidisciplinar, com anestesiologista, cirurgião e geriatra, aliado a técnicas adequadas e monitoramento contínuo, faz diferença nos resultados”, pontua.

Crédito da foto: Freepik

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