Enquanto modelos eurocêntricos ainda moldam a percepção de beleza, a biomédica esteta Jéssica Magalhães defende cuidados com a pele que respeitem a diversidade de tons e traços, promovendo autoestima e representatividade.
A busca pelo ‘padrão de beleza ideal’ ainda exerce forte pressão sobre milhões de mulheres no Brasil, afetando a autoestima, relações sociais e até a percepção de felicidade. Moldado por novelas, filmes e séries que privilegiam traços eurocêntricos, esses padrões historicamente excluem características étnicas marcantes, ignorando a diversidade que marca o território brasileiro.
Essa pressão se reflete diretamente nas escolhas e comportamentos cotidianos. De acordo com o relatório “Padrões de beleza e bem-estar 2026”, divulgado pela Opinion Box, aproximadamente 52% das mulheres ‘já deixaram de participar de atividades sociais por se sentirem incomodadas com a própria aparência’.
Além disso, cerca de 70% dos entrevistados pela Opinion Box reconhecem que propagandas reforçam padrões irreais de beleza. A pressão estética ultrapassou a mídia e se infiltrou no cotidiano, influenciando na escolha de roupas, maquiagem e até mesmo nas rotinas de skin care.
É nesse cenário que a biomédica esteta Jéssica Magalhães, com mais de uma década de experiência em ‘cuidados com a pele’, reforça a importância da descolonização da estética. “Não basta apenas cuidar da pele; é preciso respeitar os traços e a identidade de cada pessoa. Procedimentos como limpeza de pele, peeling ou tratamentos hidratantes devem ser adaptados a diferentes tons e tipos de pele, sem tentar uniformizar características naturais”, afirma.
Em meio aos debates que se intensificam no ‘Dia Internacional da Mulher’, 8 de março, a discussão sobre a descolonização da estética feminina se torna ainda mais relevante, principalmente para as mulheres negras. Segundo Jéssica, repensar padrões de beleza tradicionais é essencial para combater estereótipos, fortalecer representações inclusivas e criar um ambiente de beleza consciente, que respeite histórias, identidades e a diversidade de cada mulher.
A especialista explica que a descolonização também passa por orientar pacientes sobre escolhas conscientes de produtos. “Mulheres negras muitas vezes enfrentam problemas específicos, como hiperpigmentação, manchas pós-inflamatórias e ressecamento em algumas regiões do corpo. Por isso, a recomendação correta de um especialista interfere nos resultados dos procedimentos. Protetores solares com FPS alto e acabamento invisível, ácidos e hidratantes que não clareiem nem alterem o tom natural da pele, e procedimentos como peelings e laser também devem ser ajustados para evitar manchas e cicatrizes”, explica.
A profissional ainda destaca que muitas de suas pacientes buscam procedimentos estéticos com o objetivo de se aproximar de um padrão de beleza eurocêntrico, muitas vezes sem perceber que essa busca é reflexo da falta de representatividade e da ausência de estímulo para reconhecer a beleza de seus próprios traços.
“É fundamental que reescrevamos o conceito de beleza com base em nossa ancestralidade, e não na de outros povos. Isso envolve reconstruir algo profundamente ligado a dores e opressões históricas. Só assim poderemos resgatar a verdadeira força de nossa identidade”, conclui.

