utróloga Suzana Viana explica que excesso de modismos e informações superficiais levam a erros que comprometem a saúde e dificultam resultados
A busca por uma alimentação saudável nunca esteve tão em alta, mas nem sempre as escolhas consideradas “corretas” trazem os benefícios esperados. O consumo excessivo de alimentos tidos como saudáveis, a substituição de refeições por opções “fit” e a exclusão de grupos alimentares sem orientação estão entre os erros mais frequentes e podem impactar diretamente a saúde metabólica e digestiva.
De acordo com a médica nutróloga Suzana Viana, o problema está na forma como a informação chega ao público. “Hoje, existe excesso de conteúdo sobre alimentação, mas nem sempre com embasamento. Isso faz com que muitas pessoas adotem estratégias restritivas ou desequilibradas, acreditando que estão cuidando da saúde, quando, na verdade, estão prejudicando o próprio organismo”, explica.
Entre os equívocos mais comuns está o exagero na quantidade de alimentos considerados saudáveis. Itens como castanhas, frutas e produtos integrais, apesar de nutritivos, também possuem valor calórico e, em excesso, podem dificultar o controle de peso.
Por outro lado, a exclusão de carboidratos e gorduras sem acompanhamento profissional também preocupa. “Esses nutrientes têm funções importantes no organismo, como fornecer energia e participar da regulação hormonal. Cortes radicais podem causar efeitos negativos, como fadiga, compulsão alimentar e desequilíbrios metabólicos”, destaca Suzana.
Produtos industrializados rotulados como “light”, “zero” ou “fit” também entram na lista de armadilhas. Muitas vezes, esses alimentos continuam sendo ultraprocessados, com aditivos químicos e baixo valor nutricional. “O rótulo pode induzir ao erro. Nem tudo que parece saudável realmente é. É fundamental avaliar a composição dos alimentos”, orienta.
Além disso, hábitos como comer em horários desregulados ou sem atenção à qualidade das refeições podem afetar o funcionamento gastrointestinal e contribuir para quadros como disbiose, distensão abdominal e dificuldade na digestão.
Para a médica, o caminho mais seguro é buscar equilíbrio e orientação individualizada. “Alimentação saudável não é sobre restrição extrema nem sobre seguir tendências. É sobre entender as necessidades do corpo, respeitar a individualidade e manter constância com escolhas equilibradas”, conclui.
Suzana Viana
Suzana Viana é médica formada pela Faculdade de Tecnologia e Ciências (2013), com pós-graduação em Gastroenterologia pela Faculdade IPEMED (2019) e nutróloga titulada pela Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN). Atua como nutróloga, auxiliando pacientes com problemas gastrointestinais, lipedema, disbiose, obesidade, menopausa e fertilidade.

