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Caminhada de Ogum ocupa as ruas com fé, cultura e enfrentamento ao racismo religioso

Promovida pelo Ilê Asé Omo Ogundê, a programação acontece nos dias 23 e 26 de abril e reúne feijoada, roda de diálogo, cortejo e samba em homenagem ao orixá guerreiro, levando a força do terreiro às ruas e afirmando o direito de existir, cultuar e viver as tradições de matriz africana sem violência, em um gesto coletivo de ancestralidade e resistência 

Dedicado a Ogum, orixá guerreiro das religiões de matriz africana, o mês de abril convida a pedir proteção, abrir caminhos, reunir forças para enfrentar batalhas e cultivar coragem. É nesse espírito que o Ilê Asé Omo Ogundê realiza a programação da Caminhada de Ogum nos dias 23 e 26 de abril, em Paulista. A iniciativa reúne roda de diálogo sobre racismo religioso, distribuição de feijoada e cortejo pelas ruas da cidade com o Balé de Ogum, o Afoxé Oxalá Adê N’La, o Maracatu Oyá Inã e o Maracatu Encanto do Pina. Ao final, o público é recebido no terreiro pelo Afoxé Povo de Ogunté e segue para uma celebração com samba em homenagem ao orixá, com apresentações de Mari’s do Samba, Layde do Banjo e participação especial da cantora Karynna Spinelli. A programação é gratuita e aberta ao público.

Idealizada pelo Bàbálorixá Hypolito de Ogum, sacerdote do terreiro de tradição nagô Ilê Asé Omo Ogundê, em conjunto com o Bàbákekerê Dácio de Oxalá Tàlàbí, a Caminhada de Ogum homenageia o orixá patrono da casa, que também foi o orixá do ano, e integra um conjunto de ações voltadas ao combate à violência contra o povo de terreiro. O terreiro já foi alvo de intolerância religiosa, o que reforça ainda mais a importância de ações públicas de visibilidade, conscientização e fortalecimento comunitário. 

“Estar na rua é essencial. Durante muito tempo tentaram esconder a gente, silenciar nossas práticas, mas a gente existe e sempre existiu. A caminhada é uma forma de dizer isso com força, com beleza, com cultura. É também um momento de conscientização, porque muita gente ainda não conhece, ainda tem preconceito. Então quando a gente ocupa a rua, a gente também educa, mostra quem a gente é e fortalece nossa comunidade”, afirma o Bàbálorixá Hypolito de Ogum.

Nesta quinta-feira (23), data marcada pelo sincretismo entre Ogum e São Jorge, a programação começa às 12h com a distribuição gratuita de feijoada, alimento que carrega memória, partilha e devoção. Às 18h, o terreiro abre espaço para a palavra com a roda de diálogo “Racismo Religioso: Reconhecer, Nomear, Denunciar”, reunindo lideranças religiosas, filhos e filhas de santo, babalorixás, ialorixás e comunidades de terreiro de Paulista e cidades vizinhas.

O encontro propõe um espaço de escuta e fortalecimento coletivo diante das violências que ainda atravessam os povos de axé. Participam da roda a professora Dra. Tereza Luiza de França, a advogada criminalista Tatiane Pereira, a professora Débora Nascimento e a advogada, historiadora e professora universitária Juliane Lima. O objetivo é orientar sobre canais de denúncia, proteção jurídica e estratégias de enfrentamento ao racismo religioso. O debate também parte da vivência do próprio terreiro, que já foi alvo de intolerância religiosa, reforçando a importância de informar, acolher e apoiar outras comunidades.

No domingo (26), a cidade se torna caminho. A partir das 14h30, o público se reúne na Praça do Casarão (R. Francisco S Costa, 90, no Centro de Paulista) para a concentração da tradicional Caminhada de Ogum, com saída prevista para às 15h. O cortejo percorre ruas da cidade até o Ilê Asé Omo Ogundê, reunindo comunidades de terreiro, grupos culturais e o público em geral em um grande ato de fé e afirmação da liberdade religiosa. 

No percurso, o som dos tambores anuncia a presença de Ogum. O Balé de Ogum, conduzido por Ana Paula Santana, dá corpo à dança dos orixás, enquanto o Afoxé Oxalá Adê N’La e o Maracatu Oyá Inã – ambos ligados ao Ilê Asé Omo Ogundê -, junto ao Maracatu Encanto do Pina, conduzem o ritmo do cortejo. Na chegada, o Afoxé Povo de Ogunté acolhe o público, abrindo espaço para o Samba pra Ogum, com apresentações de Mari’s do Samba, Layde do Banjo e participação especial da cantora Karynna Spinelli. A partilha da feijoada retorna como gesto de comunhão.

Sobre sua relação com o orixá, o Bàbálorixá destaca sua importância em sua trajetória. “Ogum pra mim é tudo. É ele quem me guia, quem me sustenta e quem me orienta nos caminhos da vida. É força, direção e sabedoria para usar essa força do jeito certo. Ogum é movimento, é trabalho, é quem abre caminhos quando parece não haver saída.” Para ele, a caminhada é também um ato político e espiritual. “Ogum nos ensina a seguir em frente. Quando ocupamos a rua, afirmamos que nossas tradições seguem vivas, que nossos ancestrais caminham com a gente e que nenhum tipo de intolerância vai nos fazer recuar. É fé, é resistência e também construção de futuro.”, conclui Hypolito de Ogum.

A iniciativa tem incentivo do Governo de Pernambuco, por meio da Secretaria de Cultura e do Funcultura, e conta com o apoio da Prefeitura do Paulista. O projeto tem como foco o combate ao racismo religioso e a valorização das expressões culturais afro-brasileiras.

ILÊ ASÉ OMO OGUNDÊ – É um terreiro de tradição nagô, conduzido pelo Bàbálorixá Hypolito de Ogum, localizado no Centro do município de Paulista, Pernambuco. Fundado em 2003, o espaço se constitui como um território de resistência, preservação e difusão das culturas de matriz africana, atuando nas tradições do Candomblé Nagô e da Jurema Sagrada. Ao longo de sua trajetória, se consolidou também como espaço de cultura e educação popular, por meio de ações formativas, artísticas e comunitárias. Em 2025, esse reconhecimento é oficialmente instituído, reafirmando seu compromisso com o fortalecimento dos saberes e práticas tradicionais.

SERVIÇO
Caminhada de Ogum – Ilê Asé Omo Ogundê

Quinta-feira (23)
12h – Distribuição gratuita de feijoada
18h – Roda de diálogo “Racismo Religioso: Reconhecer, Nomear, Denunciar” com a professora Dra. Tereza Luiza de França, a advogada criminalista Tatiane Pereira, a professora Débora Nascimento e a advogada, historiadora e professora universitária Juliane Lima
Local: Ilê Asé Omo Ogundê (Tv. Joaquim Távora, 797 – Centro, Paulista)

Domingo (26)
14h30 – Concentração na Praça do Casarão (R. Francisco S Costa, 90 – Centro, Paulista)
15h – Saída da Caminhada de Ogum até o Ilê Asé Omo Ogundê com Balé de Ogum, Afoxé Oxalá Adê N’La, Maracatu Oyá Inã e Maracatu Encanto do Pina
18h30 – Afoxé Povo de Ogunté
19h30 – Samba pra Ogum com Mari’s do Samba, Layde do Banjo e participação especial da cantora Karynna Spinelli

Gratuito e aberto ao público FOTOS: Aline Silva

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