terça-feira, maio 12, 2026
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Bipolaridade – por que o diagnóstico demora tanto?

Muito além do “humor instável”: por que o diagnóstico de bipolaridade demora, em média, 10 anos?

Comumente associado a mudanças repentinas de humor, o transtorno bipolar ainda é cercado de estigmas e desinformação. De acordo com o PubMed, base de dados especializada em literatura biomédica, a identificação da patologia pode levar até uma década. Durante esse período, é comum que pacientes recebam diagnósticos equivocados e sejam submetidos a tratamentos inadequados para a real condição.

A psicóloga Fabiane Veimrober afirma que a falta de conhecimento sobre a doença e o preconceito estão entre os principais motivos desse atraso. “Inúmeros fatores contribuem, como o preconceito em buscar ajuda psiquiátrica e a dificuldade do médico em investigar a fundo os episódios de mania ou hipomania, além dos antecedentes familiares, que é um forte indicador. Muitas vezes, o paciente é diagnosticado apenas com depressão unipolar [episódios persistentes de humor deprimido, tristeza intensa e perda de prazer]”, pontua a especialista.

Embora o estigma e a dificuldade de aceitação sejam obstáculos reais, Fabiane destaca que é possível manter uma rotina saudável e funcional desde que haja acompanhamento psicoterapêutico contínuo. A psicologia auxilia não apenas na identificação dos sinais, mas também através da psicoeducação e do monitoramento de sinais e alterações sutis de comportamento que surgem antes do início de uma crise grave. Esse suporte é fundamental para que o paciente compreenda o transtorno e alcance a estabilização.
Outro pilar crucial é o acompanhamento psiquiátrico. Por ser uma doença de base biológica, o uso de medicação é indispensável para o equilíbrio químico do cérebro. No entanto, Fabiane faz um alerta: “É necessário buscar profissionais qualificados, porque o uso de medicamentos errados ou doses inadequadas pode agravar os sintomas e trazer sérios malefícios”. Como se trata de uma condição crônica não há um prazo para o fim do tratamento, o que exige a gestão contínua da saúde mental.

Essa constância permite que o próprio paciente aprenda a diferenciar as mudanças de polo dos episódios, sejam depressivos, de mania ou hipomania. A mania é um estado grave, com duração mínima de sete dias, que causa disfunção social severa e pode exigir internação ou apresentar sintomas psicóticos. “Ela é marcada por redução da necessidade de sono, autoestima inflada e aumento súbito de energia, o que muitas vezes leva a comportamentos compulsivos, como compras excessivas e mudanças bruscas no padrão de comportamento habitual. Já a hipomania é um episódio mais leve e atenuado”, finaliza a psicóloga.

Foto: Divulgação 

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