O câncer de mama segue sendo um dos principais tipos de tumores que mais atingem as brasileiras. O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima que entre o triênio de 2026 e 2028, o país vai registrar 78 mil novos casos. Em julho de 2025, a Universidade de São Paulo (USP revelou que dados do Panorama do Câncer de Mama afirmaram que 44% das mulheres pretas e pardas recebem diagnóstico tardio, contra 36% das mulheres brancas. Esses números alarmantes e a própria experiência oncológica fizeram com que a publicitária Carolina Magalhães, de 39 anos, desenvolvesse o “Se Cuida, Preta” (clique aqui), um projeto de alcance nacional que acolhe mulheres negras e busca equidade racial na saúde.
Criado em 2020, o projeto nasceu quatro anos após Carolina ter sido diagnosticada com câncer de mama, aos 29 anos. Seus desafios durante o tratamento e a ausência de mulheres negras falando dos seus processos oncológicos serviram de alerta para a publicitária.“Eu não via pacientes negras contando suas histórias. A gente não estava em nenhum lugar. Eu fiz meu tratamento e tive trocas com poucas pessoas negras. Nas redes sociais, eu só via mulheres brancas falando sobre a doença. Foi justamente para preencher essas lacunas e acolher esse público que eu criei a iniciativa”, explica.
Carolina afirma que o “Se Cuida, Preta” busca multiplicar informações sobre o câncer de mama, com o objetivo de alcançar equidade racial na saúde e contribuir para ampliar o acesso ao tratamento. Desde a criação, a iniciativa já impactou mais de quatro mil mulheres pelo Brasil com palestras e ações. Além disso, algumas delas também foram beneficiadas com acesso a nutricionista e profissional de educação física. Já as moradoras dos estados do Pará, Amazonas e Bahia receberam guias com informações importantes sobre saúde e tratamento.
Com quatro pilares importantes como informação, cuidado, equidade e mobilização, Carolina destaca a essência do Se Cuida, Preta. “O projeto existe para ampliar o acesso a informações confiáveis sobre câncer de mama e saúde da população negra, mas também para falar sobre o racismo que ainda influencia o acesso ao diagnóstico, ao tratamento e a um atendimento de qualidade. A iniciativa fortalece pacientes e ajuda a sensibilizar profissionais de saúde para um atendimento mais humano, respeitoso e atento às diferentes realidades ”
Foi através deste projeto que a paulistana e especialista em vendas transacionais, Elisabeth Batista Moreira, de 42 anos, recebeu fortalecimento e acolhimento para enfrentar o câncer de mama. “Recebi o diagnóstico aos 37 anos e não via mulheres pretas falando sobre o câncer de mama, até conhecer o “Se Cuida, Preta”, onde encontrei representatividade, me senti acolhida e pertencente”, conta.
Elisabeth destaca ainda que ter conhecimento sobre a doença, faz toda a diferença na vida de milhares de mulheres. “Ter informação de qualidade pode significar reconhecer um sintoma mais cedo, procurar atendimento, entender um diagnóstico e conseguir participar das decisões do próprio tratamento”.
A contadora Gabrielle Brandão, de 26 anos, natural de Feira de Santana, também foi beneficiada pelo projeto. Tendo recebido o diagnóstico aos 23 anos, a jovem pontuou que se sentiu amparada por Carolina e pela iniciativa. “O projeto me mostrou que eu não estava sozinha, que informações de qualidade salvam vidas, e que devemos lutar pelos nossos direitos, principalmente a um atendimento humanizado e digno”.
Além do acolhimento, Gabrielle afirma que o “Se Cuida, Preta” a conectou à pessoas qualificadas. “Tive a oportunidade de conhecer profissionais negros e capacitados, que entendem a dor do outro e sabem ouvir o próximo”, afirma.
Serviços oferecidos
Além de difundir informações sobre saúde da mulher negra e buscar equidade racial nesse campo, Carolina traz soluções para organizações e empresas interessadas em contribuir com a causa e gerar impactos positivos para a sociedade.
A partir da sua própria vivência, Carolina leva palestras sobre o câncer de mama, saúde da mulher negra, equidade racial e diversidade na saúde para as corporações. Através de rodas de conversas e formações, ela abre espaços, dentro das empresas, para conversas importantes sobre saúde.
A publicitária também realiza revisão de materiais educativos, para que por meio de uma linguagem simples, a informação seja levada com mais clareza e eficiência.
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