Perda expressiva de peso pode deixar excesso de pele e alterações no contorno corporal; cirurgião plástico Diego Gonzalez explica quando a cirurgia é indicada
A popularização das novas medicações para emagrecimento, especialmente os agonistas do receptor de GLP-1, vem modificando também a demanda nos consultórios de cirurgia plástica. Depois de uma perda expressiva de peso, parte dos pacientes passa a conviver com excesso e flacidez de pele, alterações no contorno corporal e perda de volume em determinadas regiões, questões que nem sempre são resolvidas apenas com exercícios físicos ou tratamentos não cirúrgicos.
Dados recentes da American Society of Plastic Surgeons ajudam a dimensionar esse movimento. Segundo levantamento referente a 2025, 82% dos cirurgiões membros da entidade relataram receber pedidos de consulta relacionados ao uso de medicamentos GLP-1. No mesmo período, procedimentos associados à retirada e ao reposicionamento de tecidos apresentaram crescimento, como lifting de tronco superior, braços e coxas, além da mastopexia.
Para o cirurgião plástico Dr. Diego Gonzalez, a perda de peso, por si só, não determina a necessidade de uma operação. “A cirurgia plástica deve ser pensada de forma individualizada. Há pacientes que perdem muito peso e apresentam pouca flacidez, enquanto outros desenvolvem um excesso de pele importante, que pode comprometer não apenas a estética, mas também o conforto, a mobilidade e até a higiene de determinadas regiões”, explica.
Entre as queixas mais frequentes após grandes emagrecimentos estão o excesso de pele no abdômen, braços e coxas, a queda das mamas, alterações no contorno dos glúteos e perda de volume facial. Levantamentos recentes também mostram que abdominoplastia, cirurgias das mamas, lifting dos braços e das coxas estão entre os procedimentos mais procurados por pacientes que passaram por emagrecimento expressivo.
Gonzalez ressalta que o momento da cirurgia também precisa ser cuidadosamente definido. “Não se trata de emagrecer e imediatamente operar. É importante avaliar se o paciente atingiu uma condição clínica adequada, se o peso está próximo do objetivo e se há estabilidade suficiente para que possamos planejar o procedimento com mais segurança e previsibilidade. Também precisamos observar alimentação, exames laboratoriais, doenças associadas e as expectativas em relação ao resultado”, afirma.
A atenção ao estado nutricional ganhou ainda mais relevância nesse contexto. Estudos recentes apontam que pacientes submetidos a grandes perdas de peso podem apresentar deficiências nutricionais capazes de interferir na cicatrização, o que reforça a necessidade de avaliação clínica e nutricional antes das cirurgias de contorno corporal.
O histórico de uso das medicações para emagrecimento também deve fazer parte da consulta. Pesquisas recentes vêm avaliando a relação entre o uso de medicamentos GLP-1 e o período perioperatório, reforçando a importância de o paciente informar ao cirurgião todos os medicamentos utilizados e passar por uma avaliação pré-operatória criteriosa.
“Depois de uma grande perda de peso, muitas vezes o paciente já conquistou uma transformação importante na saúde e percebe que o excesso de pele passou a ser uma nova demanda. A cirurgia plástica pode fazer parte dessa etapa, mas não existe um procedimento padrão para todos. O planejamento deve respeitar a anatomia, a história do emagrecimento, as prioridades e, principalmente, a segurança de cada pessoa”, conclui Dr. Diego Gonzalez.

