terça-feira, agosto 25, 2026
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Alan Nery doa ao Teatro Castro Alves figurinos que contam a história dos Reis Momo da Bahia

Acervo reúne trajes usados por Alan e pelo saudoso Duzinho Nery em diferentes edições dos carnavais de Salvador e Lauro de Freitas e passa a integrar a memória cultural preservada pelo TCA

Uma história construída entre o brilho do Carnaval, a irreverência do Rei Momo, a dedicação de uma família à cultura e figurinos produzidos como verdadeiras obras de arte ganha agora um novo capítulo. Alan Nery realiza a doação da coleção de figurinos utilizados por ele e por seu irmão, o saudoso Duzinho Nery, ao acervo do Teatro Castro Alves (TCA).

A iniciativa transforma peças que acompanharam momentos marcantes dos carnavais de Salvador e Lauro de Freitas em registros da memória cultural baiana. Após anos preservando os trajes, Alan decidiu destiná-los ao TCA, reconhecendo a importância de garantir sua conservação e permitir que essa trajetória permaneça vinculada à história das artes e da cultura da Bahia.

A relação dos irmãos Nery com a figura do Rei Momo atravessou diferentes momentos do Carnaval. Alan Nery foi Rei Momo de Lauro de Freitas em 2014 e Rei Momo de Salvador em 2015, 2017, 2023 e 2024. Em 2023, viveu um feito especialmente simbólico ao ocupar simultaneamente o reinado momesco de Lauro de Freitas e de Salvador.

Já Duzinho Nery, falecido e permanentemente lembrado por sua contribuição à cultura, foi Rei Momo de Lauro de Freitas em 2015, Rei Momo de Salvador em 2016 e novamente Rei Momo de Lauro de Freitas em 2018.

Além dos títulos conquistados, os irmãos participaram de outras edições dos concursos de Rei Momo das duas cidades. Cada candidatura envolvia pesquisa, concepção artística e preparação cuidadosa, fazendo dos figurinos um dos principais elementos dessa trajetória.

Ao longo dos anos, Alan e Duzinho construíram uma coleção marcada pela riqueza visual e pelo cuidado profissional. Mais do que fantasias carnavalescas, os trajes foram concebidos para traduzir personagens, conceitos, referências culturais e a grandiosidade simbólica associada ao Rei Momo.

As peças passaram pelas mãos de profissionais que contribuíram diretamente para essa memória, entre eles Luiz Cláudio de Vasconcelos, Cris Oliveira, Atelier Fábulos – que também desenvolve trabalhos para a cantora Anitta – e Ito Gomes.

São criações que carregam não apenas tecidos, bordados, cores, volumes e adereços, mas também histórias pessoais e coletivas. Por trás de cada figurino estão meses de idealização, pesquisa e trabalho de artistas e profissionais envolvidos em sua execução.

Para Alan, a decisão de doar esse patrimônio possui também uma dimensão afetiva. Parte das peças preserva a memória de Duzinho Nery e de uma trajetória compartilhada entre os dois irmãos, dentro e fora do Carnaval.

“É um momento de muita emoção e alegria. Esses figurinos foram feitos com muito amor, carinho, pesquisa, dedicação e profissionalismo. Cada um representa uma fase das nossas vidas e guarda lembranças que não têm preço. Saber que eles estarão no acervo do Teatro Castro Alves, sendo preservados e tratados com o cuidado que merecem, me deixa muito feliz”, afirma Alan Nery.

A doação ganha significado especial para Alan por acontecer no contexto da reabertura do Teatro Castro Alves. Para ele, entregar as peças a uma das mais importantes instituições culturais da Bahia significa assegurar que uma parte dessa história ultrapasse o âmbito familiar e seja preservada para as próximas gerações.

O gesto também presta uma homenagem a Duzinho Nery, cuja história esteve profundamente ligada à produção cultural, ao teatro e às manifestações populares.

“Existe Duzinho em cada uma dessas peças. Fazer essa doação também é uma forma de cuidar da memória dele. A nossa história como Reis Momo foi construída juntos, com muita dedicação. Eu queria que esses figurinos continuassem vivos, não simplesmente guardados em casa. Quero que eles permaneçam como parte da memória do Carnaval e da cultura da Bahia”, destaca Alan.

A figura do Rei Momo ocupa um lugar histórico no Carnaval brasileiro e, especialmente na Bahia, representa a abertura simbólica da maior festa popular do estado. Para Alan Nery, ter vivido essa experiência repetidas vezes foi muito mais do que receber uma coroa e uma chave simbólica da cidade.

“Ser Rei Momo de Salvador foi um presente que a vida e o Carnaval me deram. Sempre levei essa responsabilidade muito a sério. Houve pesquisa, dedicação, preparação e muito capricho em cada participação. O Rei Momo faz parte da história do Carnaval, e essa história também passou a fazer parte de quem nós somos”, relembra.

Ao transferir os figurinos para o acervo do Teatro Castro Alves, Alan encerra um ciclo de guarda pessoal, mas abre outro: o da preservação institucional de uma memória construída ao longo de mais de uma década de Carnaval.

Entre coroas, tecidos, cores, bordados e lembranças, permanecem registradas as histórias de dois irmãos que ocuparam o trono da folia em Salvador e Lauro de Freitas.

Para Alan, entregar essas peças é também entregar um pedaço de sua própria história.

“Estou muito emocionado. Quando olho para esses figurinos, consigo lembrar de cada Carnaval, das pessoas que trabalharam conosco, da nossa família, das vitórias, dos concursos e, principalmente, do meu irmão. Agora eles seguem para um lugar onde poderão continuar contando essa história. É uma maneira de dizer que tudo aquilo que vivemos valeu a pena e merece ser preservado.”

Uma coleção que nasceu para ocupar as ruas durante o Carnaval passa, assim, a integrar um novo capítulo da memória cultural da Bahia, preservando o legado de Alan Nery e Duzinho Nery e a tradição do Rei Momo para as futuras gerações.

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