Psicóloga explica como o excesso de romantização em torno da data pode intensificar sentimentos de solidão e cobrança emocional
Com a chegada do Dia dos Namorados, vitrines temáticas, campanhas publicitárias, jantares especiais e declarações nas redes sociais passam a ocupar espaço no cotidiano e no imaginário coletivo. Enquanto para muitos casais a data representa celebração, para quem está solteiro esse período pode despertar sentimentos como ansiedade, tristeza, comparação e até sensação de inadequação.
Em meio ao forte apelo emocional que envolve o 12 de junho, muitas pessoas acabam confrontadas por expectativas pessoais e sociais ligadas ao relacionamento amoroso. A repetição de mensagens que associam felicidade à vida a dois pode provocar desconforto, especialmente diante da exposição constante nas redes sociais, onde relações afetivas são frequentemente retratadas de forma idealizada.
Segundo a psicóloga Niliane Brito (CRP03/12433), esse impacto emocional vai além da solteirice em si e está relacionado ao significado simbólico que a sociedade construiu em torno da data. “O Dia dos Namorados reforça uma narrativa de que estar acompanhado é sinônimo de realização afetiva e felicidade. Quando a pessoa não se percebe dentro desse contexto, pode surgir um sentimento de inadequação, como se estivesse ficando para trás ou em falta em relação ao outro”, explica.
A especialista destaca que esse movimento também pode ativar questões emocionais profundas, como lutos afetivos, términos recentes, frustrações e inseguranças. “Datas simbólicas costumam carregar emoções silenciosas. Para alguns, o Dia dos Namorados celebra encontros. Para outros, desperta ausências, saudades, frustrações ou questionamentos. E tudo bem. Nem toda data precisa ser vivida da mesma forma”, afirma.
Para Niliane, esse também pode ser um momento de ressignificar o amor e ampliar a percepção sobre afeto. “O amor não se limita ao vínculo romântico. Ele também está presente nas amizades, nas relações familiares, no autocuidado e na conexão consigo mesmo. Mais do que corresponder a uma expectativa social, o essencial é compreender o próprio momento e respeitar a própria história”.
Em tempos de hiperexposição e comparação constante, olhar para si com mais consciência emocional e menos exigência pode ser um exercício importante, especialmente em datas que costumam carregar tantos significados e expectativas.

