sexta-feira, maio 29, 2026
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Festa do Divino Espírito Santo e Festa de Boipeba movimentam ilha por dez dias com fé, shows e romaria marítima

Com 410 anos de tradição religiosa e programação cultural da Prefeitura de Cairu, celebração reafirma o potencial do turismo no Baixo Sul baiano

A Ilha de Boipeba, no município de Cairu, viveu dez dias de intensa celebração religiosa e cultural durante o mês de maio de 2026. A Festa do Divino Espírito Santo, organizada pela comunidade católica local, e a Festa de Boipeba, promovida pela Prefeitura de Cairu, reuniram moradores, devotos e visitantes em uma programação que combinou fé, cortejo, romaria marítima e shows populares, do novenário à madrugada festiva.

A Festa do Divino tem suas raízes no cristianismo primitivo e está ligada à celebração da descida do Espírito Santo sobre os apóstolos e Maria. A festa como a conhecemos hoje ganhou forma em Portugal no século XIV, quando passou a ser celebrada com cortejos, símbolos coloridos e fortes traços de coletividade, reunindo fiéis e curiosos em rituais que mesclavam fé, cultura e identidade. Em Boipeba, ela surgiu em 1616, quando o Bispo de Salvador Dom Constantino Barradas criou a freguesia do Divino Espírito Santo, tornando a celebração uma das mais antigas do Brasil. A festa é celebrada sete semanas após a Páscoa, no Domingo de Pentecostes, marcando a chegada do Espírito Santo sobre os apóstolos de Cristo sob a forma de línguas de fogo, segundo o Novo Testamento. 

A programação religiosa teve início no dia 15 de maio, com a abertura do novenário, nove noites de devoção, cantos e rezas que prepararam a comunidade para o ápice da celebração. No dia 17 de maio, um sábado, aconteceu a Lavagem da Igreja do Divino Espírito Santo. Moradores e visitantes, vestidos de branco, percorreram as ruas da vila em cortejo com água de cheiro, flores e muita música, num momento marcado por emoção, cantos e celebração coletiva. Durante o dia, a ilha ganhou rodas de samba, manifestações tradicionais, comidas típicas e uma energia que mistura espiritualidade, alegria e pertencimento.

O ponto alto da celebração religiosa aconteceu no Domingo de Pentecostes, 24 de maio, com a Missa Festiva na Igreja do Divino Espírito Santo, construída no século XVII pelos jesuítas e maior monumento histórico da ilha. Na segunda-feira, 25 de maio, a programação religiosa se encerrou com a Romaria de São Francisco, padroeiro dos pescadores de Boipeba: as imagens do Divino e da Virgem Maria foram levadas em procissão pelo mar, em um dos momentos mais simbólicos e fotografados de toda a festividade, seguida por procissão nas ruas e Missa Votiva. 

A Festa do Divino Espírito Santo de Boipeba é um verdadeiro encontro das manifestações culturais da ilha. Durante os dias festivos é possível acompanhar, além das missas, os rituais do candomblé e rodas de samba e capoeira. A festa não representa somente a fé e a devoção religiosa da comunidade, como também a história e a identidade cultural de Boipeba, reunindo diferentes gerações em uma mesma tradição e atraindo visitantes de todo o mundo. 

Em paralelo à celebração religiosa, a Prefeitura de Cairu promoveu a Festa de Boipeba 2026, programação de shows e manifestações culturais populares realizada nos dias 24 e 25 de maio, com apoio do Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Turismo, do Ministério do Turismo e do Governo Federal. No dia 24, o palco recebeu Ritta Faromi e Papazoni. No dia 25, a programação contou com DJ Gabriel, Karamba na Kara, Magno Netto  e Elton Risco In Samba 2.0, reunindo ritmos que expressam a diversidade cultural do Baixo Sul baiano.

Para o prefeito Hildécio Meireles, apoiar a tradição é dever da gestão pública. “No centro de todas essas conquistas está o povo de Boipeba, homens e mulheres dedicados, criativos, resilientes, que são os protagonistas dessa transformação, preservam a cultura e garantem o caminho do progresso, com união e solidariedade”, afirma o gestor, em seu quinto mandato à frente do município.

Para o secretário municipal de Turismo, Cláudio Brito, a combinação entre festa religiosa e programação popular é estratégica para o posicionamento do arquipélago. “Cairu já se consolida como o terceiro maior polo turístico da Bahia, com mais de 800 mil visitantes por ano”, destaca Brito, reforçando que o arquipélago tem registrado crescimento médio de 7% de uma temporada para outra. 

Para Cíntia Palma, secretária municipal de Cultura de Cairu, a celebração vai além do calendário religioso. “Participar da Festa do Divino é viver algo que atravessa o tempo e toca a alma. Boipeba tem tradição, tem fé e tem união, e essa celebração mostra, a cada ano, a beleza da união entre diferentes crenças, do respeito e da cultura viva de um povo que mantém sua história pulsando”, afirma.

O impacto vai além das fronteiras da ilha. A Bahia recebe anualmente cerca de 3,3 milhões de turistas interessados em experiências de fé, injetando R$ 4,3 bilhões na economia do estado. Dados do Observatório do Turismo apontam que o turista religioso gasta, em média, mais de R$ 2,4 mil por viagem, com permanência de cerca de quatro dias. O turismo religioso já representa mais de 3% da movimentação econômica do turismo nacional, que totaliza aproximadamente R$ 492 bilhões, com impacto direto nas economias locais nas áreas de hospedagem, transporte, alimentação e comércio. 

Sobre Cairu — Um dos municípios mais antigos da Bahia, Cairu é o maior município-arquipélago do Brasil, formado por 26 ilhas, das quais três são habitadas: a Ilha de Cairu, sede do município; a Ilha de Tinharé, onde estão Morro de São Paulo, Gamboa e outros povoados; e a Ilha de Boipeba, formada por Velha Boipeba, Moreré, Monte Alegre e São Sebastião, conhecida como Cova da Onça. Sua região fez parte dos primeiros momentos da colonização portuguesa, acumulando legados históricos e culturais riquíssimos, com traços marcantes da miscigenação entre os povos originários, africanos escravizados e europeus. Seu centro histórico preserva edifícios e casarões dos séculos XVI a XIX, muitos tombados pelo IPHAN. Hoje, o município abriga destinos como Morro de São Paulo, Boipeba e Gamboa — ilhas que combinam natureza preservada, patrimônio histórico e tradições culturais centenárias. 

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