Soteropolitanos reclamam do preço para aquisição de novos imóveis na capital.
Conquistar a casa própria, em Salvador, parece mais difícil do que há dois anos. De acordo com dados cruzados do índice FipeZap, o custo médio por m² na capital chegou a R$ 8,2 mil em fevereiro, puxado pelo acúmulo de 14% no preço de casas e apartamentos dos últimos doze meses.
Com os preços mais altos e os boletos de aluguel ainda mais caros, o segmento imobiliário ficou “sufocado” pela ausência de novos compradores. Diferentemente do ano de 2024, em que o custo médio do m² em Salvador beirava os R$ 5,8 mil, as recentes altas consecutivas do mercado residencial ampliaram o déficit habitacional nos bairros.
Quem sentiu na pele foram os próprios soteropolitanos. Sem condições de conciliar os boletos com juros excessivos, falta de acesso a crédito e o custo-benefício das próprias moradias abaixo do ofertado, os baianos enfrentam dificuldades para entrar no mercado imobiliário. Esse é o caso de Milena Fernandes, 27, que relata o desafio de encontrar um imóvel cujo valor das parcelas caiba no orçamento.
“Os valores das parcelas, as taxas de evolução de obras (no caso de imóveis comprados na planta) e o valor da entrada não cabem no orçamento de muitos soteropolitanos que sobrevivem com um salário mínimo. Assim, os custos e as condições de aquisição ainda representam um grande impedimento para boa parte da população”, afirma Milena.
Mediante a insatisfação dos soteropolitanos com os altos preços dos imóveis, as reformas recém-divulgadas pelo Governo Federal no programa ‘Minha Casa, Minha Vida‘ prometem repaginar o acesso à moradia. Ampliando o teto de todas as faixas do programa, o limite de renda agora passou de R$ 2,85 mil para R$ 3,2 mil na faixa um; na faixa 2 de R$ 4,7 mil para R$ 5 mil; a faixa 3 de R$ 8,6 mil para R$ 9,6 mil; e a faixa destinada à classe média sobe de R$ 12 mil para R$ 13 mil.
As medidas aprovadas pelo Conselho do FGTS, segundo o especialista no ramo e diretor da A&F Pop Imobiliária, Anderson Ferreira, podem dar fôlego ao mercado imobiliário local, oferecendo novas oportunidades de crédito e facilitando a aquisição da casa própria, especialmente para quem vinha ficando à margem do setor devido aos custos elevados.
“Existem dois fatores que vinham dificultando o mercado imobiliário em Salvador. O primeiro é o acumulado de +14% no preço de venda dos imóveis residenciais. A esse cenário se soma o financiamento imobiliário, que gira em torno de 12% devido às altas da Taxa SELIC. Com a reestruturação do Minha Casa Minha Vida, um novo público que antes não tinha acesso a moradias passa a ser contemplado, trazendo mais dinamismo e desafogando um setor que enfrenta dificuldades. Com subsídios e juros que variam de 4% a 10% ao ano, o MCMV se tornou uma peça fundamental na retomada do mercado e na ampliação do acesso à casa própria”, diz.
À frente do 3º Feirão Minha Casa Minha Vida, em Salvador, Anderson explica que a reestruturação do programa traz benefícios concretos para o mercado e para os soteropolitanos. “O aumento dos tetos de renda e as condições de financiamento acessíveis permite que famílias que antes não conseguiam entrar no mercado, agora possam planejar a casa própria. Isso movimenta o setor, gera oportunidades de negócios e dá fôlego para construtoras, imobiliárias e corretores. Todo o cenário sai ganhando. Além disso, fortalece o sonho da moradia para milhares de baianos, tornando o acesso à casa própria mais democrático e sustentável na capital”, conclui.

