Mudança deve atingir unidades como Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás e Pará; prazo de desincompatibilização vai até 4 de abril
As eleições de 2026 já começam a provocar mudanças importantes no comando dos estados brasileiros. Até o dia 4 de abril, prazo final para desincompatibilização de governadores que pretendem disputar outro cargo, ao menos 13 unidades da federação deverão trocar de chefe do Executivo.
Na maior parte dos casos, os atuais vices assumirão os governos com o aval político dos titulares e já posicionados como nomes competitivos para a sucessão estadual. Mais do que uma substituição formal, a mudança tende a oferecer vantagem estratégica aos novos ocupantes dos palácios, que passarão a comandar a máquina pública em ano eleitoral, ampliando visibilidade, poder de articulação e influência na formação dos palanques.
O rearranjo será amplo. Das 27 unidades da federação, apenas nove devem permanecer com governadores em condições de disputar a reeleição. Nos demais casos, a sucessão é inevitável, o que torna ainda mais relevante o perfil de quem assumirá o governo nas próximas semanas.
Entre os governadores que devem deixar os cargos, parte mira uma vaga no Senado, enquanto outros se movimentam em torno de projetos presidenciais. Hoje, esse grupo é representado com mais nitidez por nomes como Ronaldo Caiado (PSD-GO), Ratinho Junior (PSD-PR), Eduardo Leite (PSD-RS) e Romeu Zema (Novo-MG). Nos demais estados, o caminho mais provável é a disputa pelo Senado.
Rio Grande do Norte e Rio de Janeiro podem ter eleição indireta
Em boa parte do país, a substituição seguirá o rito natural, com o vice-governador assumindo o posto após a saída do titular. Em dois estados, porém, o cenário deve ser diferente: Rio Grande do Norte e Rio de Janeiro podem realizar ainda neste ano eleições indiretas nas assembleias legislativas para a escolha de um governador-tampão até janeiro de 2027.
No Rio Grande do Norte, a hipótese ganhou força após o vice-governador Walter Alves informar que não pretende assumir o governo caso Fátima Bezerra deixe o cargo para disputar o Senado. Walter quer concorrer a deputado estadual.
No Rio de Janeiro, o quadro também aponta para dupla vacância, mas por outra razão: o então vice-governador Thiago Pampolha deixou o cargo em 2025 para assumir vaga no Tribunal de Contas do Estado. Caso Cláudio Castro renuncie para disputar o Senado, a escolha do substituto caberá à Assembleia Legislativa. A expectativa, nos dois casos, é de que as assembleias elejam os governadores interinos em até 30 dias após a saída dos titulares.
Legislação eleitoral impulsiona trocas no comando dos estados
O pano de fundo dessa mudança em série é a legislação eleitoral. Governadores que pretendem disputar cargo diferente do atual precisam deixar o mandato seis meses antes do primeiro turno. Além disso, a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal consolidou o entendimento de que, em caso de dupla vacância no último biênio, a substituição deve ocorrer por eleição, conforme a regra local, e não por simples sucessão automática.
Em princípio, apenas cinco governadores não devem disputar cargo algum em 2026: os de Alagoas, Amazonas, Maranhão, Rondônia e Tocantins.
Os nomes que assumirão os governos estaduais revelam perfis distintos: há ex-senadores, parlamentares experientes, gestores técnicos, dirigentes empresariais e lideranças mais jovens. Em comum, todos chegam ao posto num momento em que a cadeira de governador deixa de ser apenas uma função eventual e passa a ser também uma poderosa vitrine política para 2026.
Veja quem são os vices que devem assumir os governos

Acre: Mailza Assis volta ao centro do poder
No Acre, quem assumirá o governo é Mailza Assis (PP), de 49 anos. Vice-governadora eleita na chapa de Gladson Cameli em 2022, ela também comanda atualmente a Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos. Mailza é apontada como candidata à sucessão, com o apoio do governador, que deve concorrer ao Senado.
Natural de Mundo Novo (MS), é formada em Pedagogia, tem MBA em Políticas Públicas e é mãe de três filhos. Iniciou a trajetória política em 2009, como secretária municipal de Administração de Senador Guiomard, e depois assumiu a área de Assistência Social do município. Em 2014, foi eleita primeira suplente de senadora na chapa de Gladson Cameli e assumiu mandato no Senado em 2019, quando ele foi eleito governador.
Distrito Federal: Celina Leão chega ao comando do Buriti
No Distrito Federal, a vice-governadora Celina Leão (PP) deve assumir o comando do Palácio do Buriti. Administradora de empresas, nascida em Goiânia, em 2 de março de 1977, Celina construiu trajetória de destaque no Legislativo local.
Eleita deputada distrital em 2010 e reeleita em 2014, presidiu a Câmara Legislativa do DF em 2015. Também foi deputada federal entre 2019 e 2022 e se licenciou para assumir a Secretaria de Esporte e Lazer no governo Ibaneis Rocha. Em janeiro de 2023, ganhou projeção nacional ao assumir interinamente o governo do DF após o afastamento de Ibaneis na esteira dos atos de 8 de janeiro. A expectativa é que dispute o governo com apoio do atual chefe do Executivo, que deve buscar o Senado.
Espírito Santo: Ricardo Ferraço será novamente vice que vira protagonista
No Espírito Santo, o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) deve assumir o governo após já ter exercido a vice-governadoria em duas gestões: a de Paulo Hartung (2007-2011) e a de Renato Casagrande (2023-2026).
Nascido em Cachoeiro de Itapemirim, em 17 de agosto de 1963, começou cedo na política, ao ser eleito vereador em 1982. Foi deputado estadual por dois mandatos, presidiu a Assembleia Legislativa, chefiou a Casa Civil e, em 1998, chegou à Câmara dos Deputados como o mais votado do estado. Em 2010, foi eleito senador. Em 2022, voltou ao MDB e foi eleito vice-governador na chapa de Casagrande. É o nome apoiado pelo atual governador para a sucessão.
Goiás: Daniel Vilela assume com peso de sobrenome e capital próprio
Em Goiás, Daniel Vilela (MDB) herdará o governo carregando um sobrenome tradicional e uma trajetória consolidada na política estadual. Filho do ex-governador e ex-senador Maguito Vilela, Daniel é advogado, pós-graduado em gestão pública e presidente estadual do MDB.
Natural de Jataí, nascido em 23 de outubro de 1983, foi vereador em Goiânia, deputado estadual e deputado federal. Em 2018, disputou o governo e ficou em segundo lugar. Em 2022, compôs chapa com Ronaldo Caiado, adversário daquela eleição, e foi eleito vice-governador. Hoje, é o principal nome do grupo para a sucessão estadual, com apoio de Caiado, que tenta viabilizar candidatura presidencial pelo PSD.
Mato Grosso: Otaviano Pivetta leva o agro ao topo do Executivo
Em Mato Grosso, o vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos) assumirá o comando do estado com forte identificação com o agronegócio e com o interior produtivo mato-grossense.
Empresário e produtor rural, nasceu em Caiçara (RS), em 10 de maio de 1959. Foi prefeito de Lucas do Rio Verde por três vezes e encerrou a última gestão, em 2016, com alta aprovação. Também exerceu mandato de deputado estadual. Em 2018, chegou à vice-governadoria ao lado de Mauro Mendes e foi reeleito em 2022. É visto como um dos principais nomes do grupo governista e disputará a sucessão com apoio de Mendes, que deve concorrer ao Senado.
Minas Gerais: Mateus Simões é tratado como herdeiro político de Zema
Em Minas Gerais, Mateus Simões (PSD) aparece como o principal herdeiro político de Romeu Zema. Vice-governador do estado, tem ampliado espaço na estrutura do governo e já é apontado como nome forte para a sucessão.
Nascido em Gurupi (TO), em 9 de março de 1981, mudou-se ainda criança para Belo Horizonte, onde construiu carreira como advogado, professor e político. Em 2016, foi eleito vereador da capital pelo Novo, tornando-se o primeiro parlamentar da legenda em Minas. Em 2020, deixou a Câmara Municipal para assumir a Secretaria-Geral do governo mineiro. Em 2022, foi escolhido como companheiro de chapa de Zema e, desde então, fortaleceu sua projeção. Recentemente, deixou o Novo e se filiou ao PSD.
Pará: Hana Ghassan é a aposta de Helder Barbalho
No Pará, quem assumirá o governo é Hana Ghassan (MDB), vice-governadora que também responde pela Secretaria Estadual de Planejamento e Administração. Servidora de carreira e auditora fiscal, tornou-se uma das principais figuras da engrenagem administrativa do governo Helder Barbalho.
Natural de Belém, nascida em 16 de janeiro de 1968, é contabilista e construiu trajetória em áreas ligadas à fiscalização, arrecadação e planejamento. Atuou em funções estratégicas na Secretaria da Fazenda e também passou por gestões municipais em Ananindeua e Belém, em áreas financeiras e de infraestrutura. Em 2019, assumiu a Secretaria de Planejamento e Administração do estado e, em 2022, foi escolhida para compor a chapa da reeleição de Helder. É apontada como a principal aposta do governador, que deve disputar o Senado.
Paraíba: Lucas Ribeiro reúne juventude e tradição política
Na Paraíba, Lucas Ribeiro (PP) simboliza a renovação de um grupo político tradicional. Jovem e articulado, chegará ao governo carregando o peso de um sobrenome influente no estado.
Nascido em João Pessoa, em 15 de agosto de 1989, é advogado e dirigente do Progressistas em Campina Grande. É filho da senadora Daniella Ribeiro, neto do ex-prefeito e ex-deputado Enivaldo Ribeiro e sobrinho do deputado federal Aguinaldo Ribeiro. Foi eleito vereador de Campina Grande em 2016, depois assumiu a Secretaria Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação, retornou à Câmara e, em 2020, foi eleito vice-prefeito da cidade. Dois anos depois, deu o salto para a política estadual ao integrar a chapa de João Azevêdo.
Paraná: Darci Piana leva experiência empresarial ao Palácio Iguaçu
No Paraná, Darci Piana (PSD) é o nome que deve assumir o governo após longa trajetória no empresariado e nas entidades de classe. Vice-governador desde 2019, tornou-se uma ponte entre o Executivo e o setor produtivo paranaense.
Natural de Carazinho (RS), nascido em 24 de dezembro de 1941, é economista, empresário e dirigente classista. Presidiu o Sindicato do Comércio Varejista de Veículos, Peças e Acessórios do Paraná, ajudou a fundar a cooperativa de crédito Sincoocred e comandou o Conselho Deliberativo do Sebrae-PR. Também foi superintendente regional da Companhia de Financiamento da Produção. Estreou nas urnas apenas em 2018, quando foi eleito vice-governador na chapa de Ratinho Junior. Reeleito em 2022, não disputará cargo em outubro.
Rio Grande do Sul: Gabriel Souza chega ao topo do Executivo gaúcho
No Rio Grande do Sul, Gabriel Souza (MDB) assumirá o governo como um dos quadros mais promissores de sua geração dentro do MDB gaúcho.
Natural de Tramandaí, é médico veterinário de formação e fez da política sua principal atividade desde cedo. Foi eleito deputado estadual em 2014 e tomou posse em 2015. No Parlamento, ganhou espaço como líder da bancada do MDB e também foi líder do governo José Ivo Sartori na Assembleia Legislativa entre 2016 e 2018. Em 2018, reelegeu-se como o deputado mais votado do MDB no estado. Em 2022, chegou a se lançar como pré-candidato ao governo, mas acabou compondo a chapa vencedora como vice-governador. Deve disputar novo mandato com apoio de Eduardo Leite, que se movimenta nacionalmente no PSD.
Roraima: Edilson Damião assume com perfil técnico
Em Roraima, Edilson Damião (Republicanos) assumirá o governo com perfil mais técnico do que eleitoral. Engenheiro civil e servidor público, construiu a carreira na área de infraestrutura.
Nascido em Curitiba, em 13 de dezembro de 1977, foi assessor no Ministério dos Transportes e, a partir de 2019, passou a comandar a Secretaria de Infraestrutura de Roraima, aproximando-se do núcleo político do governador Antonio Denarium. Em 2022, foi eleito vice-governador na chapa de Denarium e, desde então, ampliou seu espaço dentro do grupo governista.

