Confeiteira transformou uma renda extra em negócio consolidado e hoje se destaca pela inovação nos sabores e pela produção artesanal.
No mês de março, período dedicado à reflexão sobre a presença e o protagonismo das mulheres na sociedade, histórias de empreendedorismo feminino ganham ainda mais destaque. Na gastronomia baiana, a trajetória da confeiteira Jeanne Garcia mostra como paixão, estudo e perseverança podem transformar um interesse pessoal em um negócio consolidado e reconhecido pelo público.
A história começou de forma simples. Sem experiência profissional na área, Jeanne iniciou a produção de doces quase de maneira experimental, pesquisando receitas na internet e vendendo para amigos e conhecidos. “Quando comecei a fazer doces para vender, não tinha experiência nenhuma. (…) Vendia só para fazer um dinheiro extra”, relembra.
Apesar das dificuldades iniciais, os produtos começaram a conquistar os clientes. “Apesar de tudo, os doces faziam sucesso e as pessoas gostavam”, conta. Com o aumento da procura, ela percebeu que havia potencial para transformar a atividade em algo maior. “Percebi que aquilo poderia ser um negócio de sucesso se eu me dedicasse. E foi o que fiz.”

Na época, Jeanne cursava Jornalismo na Universidade Federal da Bahia (FACOM), mas já se sentia atraída pelo universo da gastronomia. A confeitaria surgiu como uma forma de se aproximar desse ambiente. “Queria inicialmente ser chef de cozinha, mas enquanto não conseguia mudar de curso e me inserir no ramo, decidi fazer doces para ter uma renda extra e estar com um pezinho nesse universo da Gastronomia que tanto me encantava”, explica.
A virada definitiva veio quando ela decidiu investir em formação e profissionalizar o negócio. Cursos na área de Gastronomia e Confeitaria, além de estudos autodidatas sobre marketing e gestão, ajudaram a estruturar a empresa. Aos poucos, o que começou como um complemento de renda se transformou na principal atividade profissional dela.
Entre os momentos que marcaram essa trajetória está a criação de um produto que se tornou símbolo da marca: os macarons feitos com farinha de castanha de caju. A adaptação da receita francesa surpreendeu os clientes. “Todos que provavam ficavam em choque porque esperavam um doce extremamente doce e enjoativo, enquanto os nossos tinham sabor equilibrado e uma textura única”, conta Jeanne. O sucesso foi tanto que os macarons passaram a ganhar notoriedade e chegaram a ser produzidos para a companhia aérea Air France, durante o lançamento do voo direto entre Paris e Salvador.
No mês da mulher, Jeanne também ressalta a importância das referências femininas em sua trajetória. A primeira inspiração veio de casa. “Minha mãe sempre empreendeu e passou essa herança de garra e dedicação para mim”, afirma. No universo da confeitaria, outra inspiração importante foi a chef Lisiane Arouca, admirada pela criatividade e pelo trabalho em defesa da valorização da confeitaria no Brasil.
Para Jeanne, a presença feminina na confeitaria sempre foi marcante, embora nem sempre devidamente reconhecida. “Só parar para lembrar das pessoas por trás do bolo que encomendamos numa ocasião especial ou daquela sobremesa que compramos na faculdade… são sempre mulheres”, observa. Para ela, o desafio agora é ampliar a valorização dessas profissionais.
Mesmo em um setor com forte presença feminina, liderar um negócio ainda envolve desafios. Jeanne relata que conquistar reconhecimento profissional muitas vezes exige esforço redobrado. “É bastante desafiador. A maioria das pessoas não reconhece a nossa capacidade e o caminho na busca desse reconhecimento é muito cansativo”, enfatiza.
Ela lembra de uma situação que ilustra bem esse cenário. “Já tive que mandar meu sócio ir sozinho fechar uma contratação de serviço para a empresa porque a negociação com o homem responsável pelo serviço que a gente estava contratando simplesmente não fluía comigo à frente. Ele foi sozinho, fez exatamente o que eu estava fazendo e conseguiu resolver”, relata. Para a confeiteira, episódios como esse mostram que ainda existem barreiras culturais a serem superadas, mesmo em áreas onde as mulheres têm presença expressiva.
Hoje, a confeitaria funciona com uma equipe estruturada. Jeanne divide a gestão com o marido, que se tornou sócio quando o crescimento da empresa passou a exigir dedicação integral. Além deles, a equipe conta com sete funcionários fixos e colaboradores temporários em períodos de maior movimento.
A inovação segue como um dos pilares do trabalho da confeiteira. “Eu amo inovar nas receitas. Testar novas combinações de sabor, texturas e formatos… gosto de fazer da cozinha um laboratório de novidades”, afirma.
Para Jeanne e sua equipe, no entanto, o maior reconhecimento vem do público. Segundo o sócio Pierre, ouvir relatos de clientes que inventam motivos para comemorar apenas para saborear os doces da casa é uma recompensa especial. “É algo muito gratificante e que não tem preço”, resume.

No mês da mulher, a trajetória de Jeanne na confeitaria reforça como criatividade, dedicação e espírito empreendedor continuam abrindo caminhos para que mulheres ocupem posições de liderança e inovação não apenas na gastronomia, mas na sociedade como um todo, transformando histórias pessoais em negócios que também produzem experiências, memórias e sabores marcantes.
Confira mais em https://www.instagram.com/jeannegarciaconfeitaria/


Fazer o quê se gosta de fazer é genial!
Casa dia um experimento de sucesso!
Parabéns!