Elas são mães, empreendedoras, filhas, profissionais e corredoras! De acordo com um estudo inédito da ChronoMAX, empresa de tecnologia especializada em cronometragem esportiva, as mulheres representaram 51,8% de todos os concluintes de provas realizadas entre 2023 e 2025 no Brasil.
Mas para além de presença e performance, o público feminino tem usado o esporte como ferramenta de superação.Comportamento notado pelo profissional de educação física e diretor da assessoria esportiva Runners Clube, Felipe Chokito.
“As mulheres estão assumindo o ambiente onde elas sempre deveriam estar. A corrida de rua virou um lugar de pertencimento, onde a maioria das mulheres encontram um lugar de realização, não só pela melhoria dos hábitos, mas como socialização e superação pessoal”, explicou.
A prova de que o esporte pode ser usado para superar desafios, é visto na vida da empresária Patrícia Leitão, que começou a correr durante o tratamento contra o câncer de mama. “Antes dele [câncer], eu acreditava que por ser asmática, eu nunca conseguiria correr e o tratamento me mostrou que somos capazes de alcançarmos o que quisermos. A dificuldade está na nossa cabeça. Mente fortalecida, corpo forte. E já comecei a correr durante o tratamento mesmo”, relatou.
A empresária explicou que começar a correr não foi fácil, tudo era novo. Apesar de já praticar atividade física, ela não era corredora e teve que construir uma habilidade com tempo, treino, determinação e disciplina.
Quem também encontrou na corrida uma motivação para superar os percalços da vida foi Cássia Bandeira. A jornalista usou o esporte para vencer diversos problemas de saúde, inclusive a obesidade.”Passei por um processo grave de assédio moral no trabalho, que desencadeou crises de ansiedade, síndrome do pânico e compulsão alimentar, resultando em um aumento significativo de peso. Cheguei ao grau 1 de obesidade, desenvolvi problemas na coluna, que me deixaram cinco dias sem conseguir andar, enfrentei a suspeita de um câncer de tireoide e tive diversos picos de pressão arterial”, explicou.
Cássia conta que neste momento percebeu que precisava recomeçar, então retomou o hábito de correr, que ela havia começado ainda na adolescência. A jornalista afirma que o esporte a tem ajudado a romper barreiras e enfrentar medos que antes a impediam de crescer em sua vida pessoal e profissional.
Em 2024, Cássia viveu outro momento emblemático.”Eu estava treinando para correr minha primeira prova de 100 km em uma ultramaratona, prevista para o início de novembro. Durante esse processo, sofri um acidente enquanto corria, que resultou na fratura da mão e em uma cirurgia de emergência. Com isso, precisei abrir mão da prova. Foi um dos momentos mais difíceis porque, além do acidente, nesse mesmo período perdi minha sogra e, meses depois, em 2025, também vivi o desencarne do meu tio. A corrida, que já tinha um significado profundo para mim, especialmente nas longas distâncias, foi essencial para que eu encontrasse a resiliência necessária para atravessar esse período com fé e seguir em frente.”, desabafou a corredora.
Segurança
Quando questionadas sobre qual a maior dificuldade que as mulheres enfrentam dentro do esporte, Patrícia e Cássia foram unânimes em suas respostas: a segurança. “Correr na rua exige coragem, principalmente por causa da insegurança e do medo da violência”, pontuou Cássia. “Vou criando estratégias para tentar amenizar o risco. Evito correr sozinha, corro com minha assessoria e sempre estou atenta a qualquer movimentação suspeita”.
Chokito concorda com as corredoras, ele afirma que ainda falta segurança, mas que “fazer parte de uma assessoria ou clube de corrida diminui o risco de insegurança, pois há uma estrutura montada para os treinos”, ressaltou.

