terça-feira, março 17, 2026
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De malas prontas: Leo Prates e Ana Paula Matos deixam PDT e devem migrar para o Republicanos

A reconfiguração partidária na Bahia ganhou novos contornos nesta terça-feira (17) com o anúncio da desfiliação do deputado federal Leo Prates do PDT. A movimentação ocorre em meio a um cenário de intensa reorganização política no estado e deve culminar com sua filiação ao Republicanos nos próximos dias.

A saída de Prates marca o encerramento de um ciclo de quatro anos na legenda e reflete o desconforto de lideranças com a aproximação do PDT ao governo do estado, comandado por Jerônimo Rodrigues (PT). Segundo o parlamentar, a aliança tornou inviável sua permanência no partido, sobretudo por sua trajetória consolidada no campo da oposição baiana.

“Com o coração dilacerado, anuncio a minha desfiliação. Sempre atuei no grupo de oposição no estado, e as circunstâncias atuais me levaram a essa decisão”, declarou Prates em carta aberta.

A movimentação não ocorre de forma isolada. A vice-prefeita de Salvador, Ana Paula Matos, também deve deixar o PDT e seguir caminho semelhante, reforçando o bloco político alinhado ao ex-prefeito ACM Neto (União Brasil) e ao prefeito Bruno Reis (União Brasil).

Republicanos se fortalece e mira protagonismo em 2026

A possível chegada de Leo Prates, Ana Paula Matos e do senador Angelo Coronel ao Republicanos redesenha o tabuleiro político estadual e projeta a sigla como um dos principais polos da oposição para as eleições de 2026.

Coronel, que rompeu com a base do governo estadual após divergências na formação de uma chapa “puro-sangue”, também negocia sua ida ao partido. Sua eventual filiação representa um ganho estratégico relevante para a oposição, ampliando tempo de televisão e acesso ao fundo partidário.

Nos bastidores, a leitura é de que o Republicanos caminha para se consolidar como um “superpartido” na Bahia, reunindo nomes com forte capilaridade política e experiência tanto no Executivo quanto no Legislativo.

Trajetória marcada por gestão e atuação legislativa

Durante sua passagem pelo PDT, Leo Prates teve atuação destacada, especialmente à frente da Secretaria Municipal de Saúde de Salvador durante a pandemia de Covid-19. A visibilidade da gestão contribuiu para sua eleição como deputado federal.

Na Câmara, ocupou funções de liderança, como a vice-liderança do partido, e presidiu a Comissão de Trabalho, participando ativamente de debates relevantes, a exemplo da discussão sobre a escala 6×1. Segundo ele, sua atuação sempre buscou alinhar técnica legislativa e compromisso social.

Base governista também se movimenta

Enquanto a oposição se reorganiza, a base do governador Jerônimo Rodrigues também promove ajustes estratégicos. O PSD, liderado pelo senador Otto Alencar, ampliou seus quadros com novas filiações, incluindo nomes como Raimundo Costa, Adriano Lima, Bebeto Galvão e a deputada estadual Ludmilla Fiscina.

Com isso, o partido passa a deter a maior bancada feminina da Assembleia Legislativa da Bahia, fortalecendo sua presença no interior e sua estratégia de expansão política.

Já o Avante, sob liderança de Ronaldo Carletto, também avançou no fortalecimento partidário. A sigla ampliou sua bancada na AL-BA e consolidou sua base municipal, reunindo cerca de 60 prefeitos em todo o estado. O movimento contou com articulação do ministro da Casa Civil, Rui Costa, peça-chave na estratégia de crescimento da legenda.

Apesar de integrar a base governista, o Avante apresenta um perfil heterogêneo, com lideranças que, em diferentes momentos, estiveram alinhadas a grupos políticos distintos no estado.

Janela partidária antecipa disputa de 2026

As mudanças em curso refletem o impacto da janela partidária e funcionam como um indicativo das forças que devem disputar protagonismo nas eleições de 2026. De um lado, o governo estadual aposta na ampliação de sua base por meio de partidos estruturados e capilarizados. Do outro, a oposição investe na atração de lideranças estratégicas e na construção de um bloco competitivo.

O cenário, ainda em formação, aponta para uma disputa mais equilibrada e marcada por rearranjos que vão além das siglas, alcançando diretamente a configuração das futuras chapas majoritárias na Bahia.

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