Campanha chama atenção para sintomas muitas vezes negligenciados e para os impactos da doença na fertilidade e na qualidade de vida de milhões de brasileiras
O mês de março é dedicado à campanha Março Amarelo, que promove a conscientização sobre a endometriose, doença ginecológica crônica que afeta milhões de mulheres em idade reprodutiva. A mobilização tem como objetivo ampliar o acesso à informação, estimular o diagnóstico precoce e combater a normalização da dor menstrual intensa, um dos principais fatores que atrasam a identificação da doença.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a endometriose atinge cerca de 10% das mulheres e meninas em idade reprodutiva no mundo. No Brasil, a estimativa é de que aproximadamente 7 milhões de mulheres convivam com essa condição. “Existe uma banalização do sofrimento feminino. Muitas pacientes escutam desde cedo que sentir dor é normal, mas cólica que impede de trabalhar, estudar ou ter uma rotina saudável precisa ser investigada”, afirma o ginecologista e especialista em cirurgia minimamente invasiva, Alexandre Amaral.
Entre os principais sintomas estão cólicas menstruais incapacitantes, dor pélvica crônica, dor durante as relações sexuais, alterações intestinais e urinárias no período menstrual, além de dificuldade para engravidar.
Segundo o médico, o atraso no diagnóstico ainda é um dos maiores desafios. “Temos casos em que a mulher leva sete, oito anos para receber o diagnóstico correto. Nesse período, a doença pode evoluir, comprometer órgãos e impactar diretamente a fertilidade”, explica. Ele ressalta que a avaliação clínica detalhada e exames de imagem específicos, como ultrassonografia com preparo intestinal e ressonância magnética, são fundamentais para identificar a extensão da doença.
O tratamento varia de acordo com cada caso e pode incluir acompanhamento clínico, terapia hormonal e cirurgia minimamente invasiva. “Hoje conseguimos tratar a endometriose com técnicas menos agressivas, que proporcionam recuperação mais rápida e menor risco de complicações. O mais importante é individualizar o tratamento e agir precocemente”, destaca Alexandre Amaral.
Para o especialista, a conscientização promovida pelo Março Amarelo é essencial para mudar esse cenário. “Informação salva qualidade de vida. Quanto mais cedo a mulher entender que a dor intensa não é normal e procurar ajuda, maiores são as chances de controlar a doença, preservar a fertilidade e evitar cirurgias complexas no futuro”, conclui.

