quinta-feira, fevereiro 19, 2026
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Ex-presidente da Coreia do Sul é condenado à prisão perpétua

Yoon Suk-yeol, 64 anos, foi deposto em abril de 2025 após tentar instaurar a lei marcial no país.

A Justiça da Coreia do Sul condenou nesta quarta-feira, 19, o ex-presidente Yoon Suk-yeol, 64 anos, à prisão perpétua por insurreição, em um dos julgamentos mais significativos da história recente do país. A decisão foi proferida pelo Tribunal Distrital Central de Seul, que considerou Yoon responsável por liderar uma tentativa de subversão da ordem constitucional ao impor lei marcial em dezembro de 2024.

Yoon governou a Coreia do Sul entre 2022 e 2025 e foi destituído do cargo após um grave episódio de crise institucional. Em 3 de dezembro de 2024, o então presidente decretou lei marcial e mobilizou militares com o objetivo de restringir o funcionamento do Parlamento e pressionar adversários políticos, em uma ação que, segundo a Justiça sul-coreana, configurou tentativa de insurreição contra o Estado democrático.

A medida durou poucas horas, mas provocou forte reação interna e internacional. O Parlamento reagiu, derrubou o decreto e iniciou o processo de impeachment, posteriormente confirmado pela Corte Constitucional em abril de 2025, o que levou à deposição oficial de Yoon.

Na sentença, os juízes afirmaram que o ex-presidente deu “passos concretos” para usar as Forças Armadas com a finalidade de interferir no funcionamento do Legislativo e concentrar poder político, em afronta direta à Constituição. O Ministério Público havia pedido a pena de morte, prevista em lei para casos de insurreição, mas o tribunal optou pela prisão perpétua, destacando a gravidade do ataque à democracia e, ao mesmo tempo, o fato de que o episódio não resultou em mortes em larga escala.

Além de Yoon, outros altos funcionários do governo também foram condenados por participação no plano, entre eles o ex-ministro da Defesa, Kim Yong-hyun, que recebeu pena de 30 anos de prisão. A Justiça entendeu que o grupo atuou de forma coordenada para tentar consolidar um governo de exceção ancorado no uso da força.

O ex-presidente, que já estava detido desde 2025 e responde a outros processos criminais, nega as acusações e alega que a lei marcial teria sido uma resposta a um cenário de “paralisia legislativa”. Sua defesa classificou o julgamento como politicamente motivado e anunciou que irá recorrer da decisão.

Do lado de fora do tribunal, grupos favoráveis e contrários a Yoon se reuniram para acompanhar o desfecho do caso, expondo a divisão que o ex-presidente ainda provoca na sociedade sul-coreana. Analistas avaliam que a condenação à prisão perpétua representa um marco na democracia do país, ao reafirmar os limites constitucionais da atuação presidencial e a responsabilização de líderes que tentem romper a ordem democrática.

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